terça-feira, 28 de maio de 2019

Quem me enxerga, sabe.

Como é bom poder alegrar outras pessoas, fazer o dia delas um tanto mais feliz!
Alguns têm esse dom. Outros se esforçam.
Mas manter um astral positivo, dar um "up" na motivação diária das pessoas faz com que cheguemos a outro nível de existência.
Que valor inestimável é ver brotar um sorriso no rosto de uma pessoa por conta de uma palavra bem colocada que dissemos, um elogio sincero que proferimos, uma boa ação que realizamos.
Faço um programa de humor (Programa Café com Risada/Café Zé Mauro - ao ar toda quinta a partir das 11h na 106,3 FM Interativa ou pela live no Facebook) e receber o feedback positivo de muitas pessoas que o assistem, que participam ao vivo, que interagem e até que esperam o momento do programa ir ao ar é impagável!
Atender as pessoas bem e com um sorriso, preocupar-se em resolver o problema delas, demonstrar empatia, solidariedade, carinho, atenção. Como é bom ser um raio de luz desferido em meio a um mundo hostil, escuro e egoísta.
Como é bom sentir-se útil e procurado pelas pessoas que encontram em nós um momento de alento e de consolo para uma vida atribulada.
Ser porto seguro, ombro amigo, conselheiro, orientador, animador, parceiro.
Como é bom!
Mas quem me enxerga, sabe.
Acabei de ler uma frase publicada por Arnaldo Álvaro Padovani que diz "Ainda que haja noite no coração, vale a pena sorrir para que haja estrelas na escuridão". É o que tento.
Mas sei das noites escuras qual piche, da imersão em um poço de alcatrão que tenta toda madrugada puxar para dentro de si e sufocar. Do esforço descomunal e sobre-humano que é necessário dispender para sair desse poço. Do trabalho de limpeza e polimento que é preciso fazer nos pensamentos todas as manhãs, a caminho do serviço, para que o brilho esteja impecável.
Tomo um chá e penso: "quem me enxerga, sabe".
Mas não sabem, porque não enxergam.
Não sabem enxergar, não conseguem, não querem.
Quem enxerga vê quando o sorriso não é completamente feliz.
Mas sigo levando comigo o pensamento de Machado de Assis: "Há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinho. Há outras que sorriem por saber que os espinhos têm rosas!"
Quem me enxerga...

segunda-feira, 27 de maio de 2019

O impasse da decisão

Decisões.
Por que será que são tão difíceis de serem tomadas?
Bom, tem umas fáceis. Resolvi hoje de manhã ir trabalhar com uma roupa e na hora do almoço eu coloquei outra. Por nada, só porque quis. Decidido.
Mas há decisões que implicam em mudanças radicais. E eu não tenho medo de mudanças. Não temo o desconhecido.
Tenho medo de apenas uma coisa: certas decisões trazem consigo a sensação de sermos ingratos, quiçá desleais. Isso é a única coisa que me amedronta.
Napoleão Bonaparte comentou que "Nada é mais difícil e, portanto, tão precioso, do que ser capaz de decidir". E realmente certas decisões são difíceis de serem levadas a cumprimento.
Fazer outro sofrer por sua causa, porque você decidiu algo melhor para si. Ah, como seria bom se eu tivesse o egoísmo necessário para encarar isso como lei da natureza! Como queria que fosse tão fácil quanto decidir que hoje iria tomar chá de hortelã.
O autor do best-seller "Diário de uma Paixão", Nicolas Sparks, escreveu justamente o que tenho dificuldade de realizar: "Nesta vida é inevitável magoarmos pessoas inocentes por conta das decisões que tomamos". E eu, como poeta, preferiria milhões de vezes ser o inocente magoado do que o contrário.
Mas não facilitam para mim. Não tomam a decisão que eu precisava que fosse tomada. E eu quero decidir. Preciso respirar. Preciso sorrir. Preciso ser eu. Arrancar esse aperto no peito toda noite, dirimir a angústia que me acomete aos entardeceres.
Mas confesso ser covarde. A mesma covardia que me mantém vivo, corrobora com os motivos que me fazem desejar o oposto.
Por isso, que neste pouco tempo que resta a decidir, vou confiar nas palavras de Caio Fernando Abreu: "Não valorizou, perdeu, só espero estar sempre tomando as decisões corretas, pois se for meu, volta, se não for pra ser, Deus sabe o que faz".
E Deus, caro leitor amigo, não é indeciso.

Por que gostar é tão complicado?

Para um assunto tão complicado, vou apelar para a sabedoria de um desenho de Walt Disney. Talvez para dar um ar paradoxal ao meu texto. Ou só para me entreter na escrita mesmo.
Vamos ao fato.
Um rapaz falou para uma pessoa: "eu gosto muito de você".
A resposta, meio previsível no momento, foi com uma outra pergunta: "Mas que tipo de gostar?"
Gostar é gostar. Talvez o que diferencie alguma coisa é o tipo de retorno que se espera quando se gosta de alguém.
Mas... e se não se espera nada em troca? Que tipo de gostar é esse?
Tudo bem... não quero enxergar que a pessoa em questão queria saber se era um gostar de amigo ou um gostar romântico.
Agora entra o desenho animado. Vou mencionar duas frases do desenho "A Pequena Sereia", de Walt Disney.
A primeira frase é "Gostar de alguém faz você pensar que qualquer oi ou qualquer tchau pode ter algum significado especial". E tudo o que acontece na vida da gente no relacionamento interpessoal é repleto de sinais não verbais. Realmente um oi dito ou deixado de dizer pode ter muitos significados. Existem ainda a entonação, circunstância, quantidade, relatividade... tudo pode significar algo. Ou não, rsrs! Mas quando se gosta esperando reciprocidade, inconscientemente buscam-se sinais de que haja correspondência.
Aí penso sobre outra frase dita na "Pequena Sereia": "Até a forma de te abraçar vai ser diferente quando alguém estiver gostando de você". E isso lembra que o abraço pode existir, mesmo que não haja necessariamente um gostar. Porque abraço é em si uma troca, mas não uma troca de sentimentos. Os sentimentos podem vir embutidos, na força, no momento, na intensidade, na imprevisibilidade do abraço.
Só sei que não tem como dizer que tipo de gostar é. As pessoas gostam. E gostar faz parte e é somente parte da história. Como uma pupa em evolução. Gostar é um sentimento evoluindo, o que vai se tornar??? Ixi, complicado, hein...

quinta-feira, 23 de maio de 2019

Retornando a escre(vi)ver!

"O que há de errado comigo? Não consigo encontrar abrigo" - assim é parte da letra da música "A Fonte", da banda Legião Urbana.
Hoje estou tendo uma crise medonha de ansiedade e, apesar de estar sofrendo com um aperto no peito, que desce para o estômago e que dá aquela sensação de que nada está certo... posso dizer que estou feliz: EU VOLTEI A ESCREVER!!!
Sim, é motivo de alegria, porque faz mais de um ano que parei de escrever, inclusive parei de escrever meu livro (o que acho algo quase imperdoável).
A faculdade, as mudanças no emprego, as voltas que o mundo dá... tudo me fizeram deixar de escrever. Não por desânimo, simplesmente parei.
A vontade de escrever sempre esteve em mim, não há como livrar-me dela. Mas eu simplesmente não escrevia...
E hoje, quando me encontro uma pilha de nervos de ansiedade, uma nitroglicerina humana, justamente para não explodir eu resolvi largar um pouco os afazeres e escrever este artigo.
Assim, peço desculpas se saí um pouco do tom neste texto, afinal, é o retorno e eu precisava explicar um pouco o porquê de minha ausência.
Não há nada de errado comigo. Agora.
Estou começando a ter uma nova visão de mundo. Graças a Deus! Estou começando a ver que as amarras não estavam apenas me segurando, elas começaram a me enforcar, porque por mais inerte que fiquemos, nós nunca estamos parados e, mesmo inconscientemente, buscamos o que queremos.
Tenho tanto assunto para compartilhar, tantas ideias para desenvolver. Tenho que contar muito do que aconteceu e que percebi acontecer neste meu tempo de ausência.
As perdas irreparáveis, as conquistas e o ressurgimento de sentimentos congelados. Minhas "aulas de italiano", e recentemente minha retomada de práticas que por anos eu havia abandonado (eu voltei a desenhar! Uau!). Ah, c'è anche una nuova persona!
Ufa! Estou mais tranquilo. Escrevi e isso é um bálsamo sem tamanho para aliviar a dor da ansiedade.
Em tempo: obrigado meu amigo Ricardo Brigagão por ser o que tenho no mundo (É noix).


quarta-feira, 18 de julho de 2018

Triste Paz por toda a vida


Esta manhã, assistindo ao noticiário da TV Globo, chegou um momento em que os expectadores apareciam em vídeos amadores feitos no celular, apresentando suas expectativas e anseios para o país.
Após esta exibição, a apresentadora concluiu o quadro comentando que na grande maioria dos depoimentos, falou-se muito de “paz”.
A referida repórter argumentou que a violência é extremamente preocupante, que os brasileiros querem mesmo o fim dos conflitos, do medo, etc., etc., etc.
Lembrei-me de imediato de uma canção de Renato Russo chamada “Esperando por Mim”, que tem um trecho assim:

“Hoje à tarde foi um dia bom
Saí prá caminhar com meu pai
Conversamos sobre coisas da vida
E tivemos um momento de paz”.

E esta lembrança levou-me a refletir que não se anseia somente a paz no estrito sentido da ausência de violência, de guerra, de atos de desentendimento.
Até porque, na sequência da canção que acabei de citar, Renato canta:

“É de noite que tudo faz sentido
No silêncio eu não ouço meus gritos”.

O maior anseio de paz, enfim, começa no interior da pessoa. Porque a paz é ausência de conflito, e estes não existem somente em sentido físico.
Kant descrevia uma paz mediante legislação, que todos, unidos numa só direção, seguiriam rumos diplomáticos que atenderiam todos os anseios dos povos e evitaria o conflito.
Mas o ser humano vive atualmente imerso num tsunami de conflitos emocionais, familiares.
E fiquei meditando que um soldado poderia estar no meio de um enorme conflito como o é uma guerra, mas estar em paz no seu peito, ao lembrar-se da família que o ama.
Ao contrário, a pessoa pode estar na relativa paz de não estar numa guerra, habitando em uma casa espaçosa e segura, mas, ao mesmo tempo, sofrer com um conflito por ter sido abandonado por alguém que amava.
Os conflitos vêm de diversas causas: abandono, desilusão, decepção, fracasso, fraqueza, doença, bancarrota, desentendimentos, dúvidas, decisões difíceis. E tudo isto tira a paz.
E a pessoa busca a paz, busca ansiosamente, busca sem limites… e de repente, ela acredita que o conflito é inerente à vida… e tirar a vida seria a única forma de obter a paz.
Se enveredarmos pelas sendas das religiões, este ato pode ser encarado de diversas formas. Mas não é este o caso, nem fazer apologia e tirar a vida.
Por isso, quando alguém depressivo tira a própria vida, não julgue. Ele só quer ser deixado em paz. E, se enquanto a pessoa estava viva, não fizemos nada para ajudá-la a encontrar paz de uma outra maneira, então simplesmente a respeite.
Porque o silêncio dos que criticam também é uma forma de paz.

sexta-feira, 4 de maio de 2018

Sobre como tratar poetas



Vamos começar considerando que poeta não é tão somente aquele que escreve. Poeta é quem reveste de sentimentos e emoções tudo o que faz e o que vive, permeando de sensações todo o seu cotidiano.

Poetas são os melhores amigos, as melhores companhias. O carinho dos poetas são indescritíveis: possuem poesia nos dedos e, quando acarinham alguém, tocam como se tocassem a Esfinge.
Consideremos ainda que estas pessoas colocam o coração em tudo o que fazem ou que lhes acontece. E isso dói, isso machuca. Machuca tanto quanto ver o sol se pôr. Machuca igual despedida.
O poeta não precisa ver Poesia nas coisas, ele a arranca de si e deposita no que lhe cerca. Um toque de Midas que, longe de ser privilégio, é antes, um legado. Porque, repito, dói.
Então poetas precisam ser levados em conta, precisam de atenção. Qualquer gesto tem valor multiplicado. Um sorriso dá sensação de gargalhada. Um desprezo, ai, um tratamento de indiferença… têm sabor de ponto final.
Cristal não é vidro colorido. O impacto que este último suporta pode estilhaçar aquele.
Taça não é copo de requeijão. Tanto em raridade quanto em qualidade.
Então poetas se tratam assim: leva-se em conta, dá-se atenção. E se você tiver a bem-aventurança de despertar a atenção de um… não permita que ele perceba que você prefere o podre, o mano, o indelicado, o “vida loka”. Porque quando poetas gostam de alguém que não brilha, eles tiram a própria luz para incutir na pessoa. Insistir em se fazer escuro é desprezar esse sacrifício.
Por isso, se um poeta gosta de você, procure ao menos amar-se.
E nunca, nunca, o trate mal.
Porque deveria ser crime hediondo atacar alguém que não reage e não se apresenta armado.
Poetas não machucam, eles curam. E não merecem pagar caro por isso (afinal, já disse que eles sentem dor por serem assim?)
Cante para eles, sorria para eles, preocupe-se com eles. Deixe-se acarinhar, deixe-se abraçar por eles.
Perca-se com um poeta, para ambos poderem se encontrar.



terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Sobre corrupção e cortar a fila no banco

Meu Deus! Quanto se tem falado por aí em corrupção! E o pior não é falar, é que as malfadadas ações corruptas realmente estão assolando este país.
Contudo, tenho observado nas mídias, em especial no prolífero solo das redes sociais, uma crescente quantidade de palestrantes e pensadores comentando sobre o brasileiro criticar a corrupção e querer sempre dar um jeitinho, obter vantagens.
Dizem que o brasileiro critica o roubo mas não devolve o troco que veio errado, que odeia o corrupto mas corta fila em banco.
A conclusão destes pensadores, obviamente clara, é que a luta contra a corrupção deve começar em pequenos gestos.
E minha opinião sobre isso é: balela. Pura balela.
Acho inconcebível querer comparar o desvio de milhões de Reais, a aceitação de propina, a compra de favores políticos, o tráfico de influência com ações tão pequenas cometidas pelo povo - a vítima dos corruptos e corruptores. É como querer justificar o estupro dizendo que a vítima usava roupas insinuantes.
Quem imputa ao cidadão comum a culpa pela "mentalidade de corrupção" está desconsiderando as proporções devidas.
Em um país onde há atendentes suficientes e ágeis, não é preciso cortar fila.
Em um país onde a escola funciona corretamente, com valorização e respeito aos educadores, a população de bem não deixa de seguir regras.
Em um país onde há emprego para todos e remuneração digna e suficiente, não é preciso levar o troco errado para casa.
Mas se levarmos em conta que os mandatários têm sempre atendimento preferencial, estudam nas melhores escolas e são muito bem remunerados (vivem quase um outro país mesmo estando dentro do Brasil), percebemos que há nesta classe um modo diferente de ser, que não é inspirado nos pequenos deslizes do povo.
Estes detentores de benesses e de poder têm um pensamento desprovido de ética. E, como escreveu Antonio Gomes Lacerda, "A ausência da ética deixa um vácuo onde se propaga a onda da corrupção".
E para sanar isso não se deve culpar os atos dos brasileiros. Afinal, sua pouca educação é uma das armas de que se utilizam os corruptos para poderem escapar das falcatruas. Por isso um político rouba, cai e acaba voltando, reeleito.
Concluindo, deixo para reflexão duas frases que se somam e explicam onde o brasileiro de um modo geral é culpado pela corrupção:

- "A corrupção não é uma invenção brasileira, mas a impunidade é uma coisa muito nossa." - Jô Soares.

- "Políticos no Brasil não são eleitos pelas pessoas que leem jornais, mas pelas quais se limpam com ele." - Conde Von Noble.