terça-feira, 10 de outubro de 2017

O real sentido de amar

Hoje li um poema de Fernando Pessoa que tinha por tema o amor. Ele dizia, em certo momento: "Amo como ama o amor. Não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar. Que queres que te diga, além de que te amo, se o que quero dizer-te é que te amo?"
E já faz algum tempo que mudei minha visão sobre o amor.
Quando adolescente, escrevia poemas de amor. Eu sofria por amores não correspondidos, entregava-me, fazia sacrifícios. Pensava o dia inteiro na musa inspiradora. Escrevia durante as madrugadas.
Até que atualmente descobri que amar não é sofrer. Amar é uma homenagem, é um préstimo que ofertamos a outras pessoas.
Quando por fim reconhecemos nosso valor individual, vemos que somos importantes e temos a percepção de que estamos longe de ser objetos, tornamo-nos senhores de nosso sentir.
Quando Pessoa diz: "se o que quero dizer-te é que te amo" percebemos que amamos porque queremos, não porque nos deixamos levar por alguma influência.
Estar "só" também é opção, ora vejam. O que não necessariamente implica em solidão.
E há vários tipos de amor. Um deles descobri com meu sobrinho, que agora fará dois anos. Ele chora minha ausência, eu choro quando ele fica doente. Não porque um seja dono do outro, não porque um tenha autoridade sobre o outro. É despretensioso, é por querer.
O amor romântico é o que mais vende, que mais rende, por isso é tão destacado.
"Se o que quero", foi o que disse Fernando Pessoa. Eu quero. Eu sou senhor de meu sentimento.
Escrevo isto para alertar contra relacionamentos sufocantes, relacionamentos tóxicos. Relacionamentos em que a outra pessoa domina, humilha, maltrata física e psicologicamente. Um amor unidirecional, pois os dois amores envolvidos apontam para uma só pessoa. Quem se submete, ama ao dominador. E o dominador ama a si mesmo.
Não sofra, liberte-se. Ame porque você quer, não porque precisa, ou porque é obrigado.
Ame porque é bom.
Ame sentindo-se como escreveu Mário Quintana: "Tão bom morrer de amor! E continuar vivendo..."




terça-feira, 12 de setembro de 2017

Ah, se as redes sociais falassem!

As redes sociais, ao meu ver, formam um microssistema que existe à parte do planeta terra ao mesmo tempo que o tenta transformar.
É do Marquês de Maricá a frase: "O homem que despreza a opinião pública é muito tolo ou muito sábio."
Mas a vida em sociedade implica em uma série de responsabilidades sociais, muitas delas não contidas nas redes sociais (muito embora esteja sendo possível mover processos por postagens ofensivas).
Contudo, o que me diverte nas redes sociais é ver que há nelas um manto subjetivo de desobrigação imediata. Em outras palavras, há uma sensação de que o simples ato de postar já é a contribuição necessária para resolver todas as questões e todos os problemas sociais, éticos e naturais que possam existir.
Exemplifico para melhor explicar: quantas postagens não vemos com a foto de uma pessoa, geralmente uma criança, que tem uma doença terrível e a seguinte frase: "Deus vai curá-la, digite seu amém". E na sequência uma enxurrada de curtidas e améns, como se fosse resolver alguma coisa.
A pessoa posta seu amém e continua comprando seu cigarrinho, tomando sua cervejinha, comenda uma pipoca e nem pensa em fazer uma doação para a APAE, Lar da Terceira Idade, Casa da Criança, Hospital... não precisa doar, ela já digitou seu amém.
Ou então vemos as intermináveis críticas aos governos, à corrupção, à má gestão nacional. Todos criticam vorazmente presidente, governadores, deputados. E quando chegam as eleições, os mesmos "incapazes, inconsequentes e corruptos" estarão de volta assumindo mandatos, reeleitos e felizes. Talvez as pessoas votem neles novamente para ter de quem reclamar por mais quatro anos no Facebook.
Recentemente estão reclamando de quem ateia fogo nos matos ao redor da cidade. Com o tempo seco e o calor intenso, o fogo se alastra e a fumaça tem causado severos males à população. E mais uma vez ninguém chama a polícia para denunciar quem põe fogo, mas simplesmente xinga no Face.
Esta é a consequência da criação a rédeas soltas de jovens que vivem mergulhados em seus mundos digitais. Cidadãos apáticos, inativos, inexpressivos, cibernéticos. Que acham que curam doenças com o digitar de um "amém" ou derrubam governos com o postar de críticas.
Encerro com uma frase minha que fica para meditarmos: "Se for para falar, diga na face e não no Face".

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Quando a questão é confiar

É complicada a questão da tal confiança!
Para quem gosta de manter tudo sobre controle, confiar em alguém é um desafio quase impossível de se cumprir, uma vez que se confiamos em alguém, deixamos de ter o controle de tudo e passamos a depender de outra pessoa.
Por exemplo, enquanto somente eu tenho um segredo, manter o sigilo é tarefa somente minha. A partir do momento em que confio o segredo a mais uma pessoa, o sigilo foge ao meu controle.
Se há um serviço a ser feito por apenas uma pessoa, a execução da tarefa só depende dela, o que não acontece quando o serviço é "confiado" a mais pessoas, pois sua execução passará a depender da "equipe".
Nos dias atuais, em que a honra, a lealdade, a fidelidade são valores cada vez mais questionáveis, a confiança passa a deixar-nos confusos.
Há pessoas que confiam demasiadamente em todo mundo. São aquelas que falam "vou te contar algo, mas não conte para mais ninguém". Só que a própria pessoa se encarrega de espalhar a notícia "confiando" em todos os que encontram.
Há aqueles que desconfiam da própria sombra. Têm medo de abrir mão de uma informação ou de um serviço que pode não ser feito. E acumulam em si um peso enorme por não extravasar um sentimento, por não compartilhar uma emoção, por não dar conta de um trabalho que é grande demais para uma pessoa só.
A confiança pode trazer em seu rastro a decepção, como escreveu Rogério Pereira: "Sou eu que erro em confiar nas pessoas, ou são as pessoas que erram ao mentir para mim?"
Mas, acima de tudo, não podemos cometer o mais terrível erro, que é deixar de confiar em si mesmo. Se não temos crença em nosso potencial, em nossos sonhos, em nossa competência para alcançar nossos objetivos, nossa vida será frustrada, fria e medíocre.
Assim como diz a escritora Gabi Machado: "Eu preciso praticar o desapego. Preciso confiar menos nas pessoas. E ter mais fé em mim. Preciso me amar em primeiro lugar. E deixar o 'resto', ser apenas o resto. "
Se depositamos nossa confiança em nós mesmos, o universo vai estar a nosso favor. E a participação de outras pessoas em nossos assuntos será algo natural, mas não trará decepção, pois nosso principal foco de confiança somos apenas nós.
Acredite em seu potencial, ponha fé em você mesmo, em suas atitudes.
Confie em mim.


segunda-feira, 24 de julho de 2017

Não fale "amor". Viva-o.

As palavras sempre tiveram muito poder. E fascinam tanto a mente humana que até mesmo histórias fantásticas foram criadas.
Quando eu era criança, minha mãe não permitia que nenhum de nós em casa dissesse algumas palavras, pois parecia que elas serviam até de invocação: se falar "câncer" pode surgir a doença, ou se falasse "diabo" invocaria o coisa ruim.
Até hoje ensina-se em alguns cursos de high performance que devemos somente pronunciar palavras positivas e evitar a qualquer custo falar palavras negativas. Isso, numa visão da programação neuro-linguística, nortearia nossa vida para o sucesso.
Mas seguindo outra vertente, recordo-me de frases do tipo "uma mentira repetida muitas vezes se torna verdade" ou "até mesmo a ideia mais sublime se torna parva quando contada muitas vezes".
Realmente, quando uma palavra ou frase ou ideia é repetida indiscriminadamente e sem razão, ela fica sem sentido.
Faça o teste quando estiver só: repita uma palavra em voz alta muitas vezes e veja o que acontece.
Prova disso também é que quando gostamos de uma música, escutamos a canção inúmeras vezes, todos os dias. Alguns colocam até para repetir vez após vez. Mas de repente, enjoamos da música e não suportamos mais ouvi-la.
E eu enrolei tudo isso no preâmbulo para justificar minha constatação: fala-se muito a palavra "amor", mas ela já perdeu totalmente seu sentido.
Sei que há manifestações de amor verdadeiras. Mas quero apontar para o fato de pessoas usarem esta palavra apenas por aparência, por tendência ou por interesse.
Filhos que postam em redes sociais algo como "amo minha mãe", mas na vida real tratam as mães como animais, xingam, desobedecem, maltratam.
Já ouvi alguém dizer "estou amando e também me amam" e apenas dois meses dá o maior vexame, fugindo da casa e se envolvendo com outra pessoa. E o pior: pessoa que largou o marido porque dizia que não sentia amor, deu com os burros n'água e voltou com o rabo entre as pernas, postando no facebook: "sempre foi amor".
Vi histórias de adolescentes que brigam com os pais por causa de um suposto "amor" e depois voltam para casa com um filho no colo e postam na net que querem pensão daquele bandido com quem se envolveram.
Meu texto de hoje é um alerta: não fale a palavra "amor", porém viva o amor, faça-o ter sentido nos seus atos e não somente nas suas palavras. Na Bíblia, um texto conhecido diz que "a fé sem obras é morta". E o mesmo se dá com o amor... se não tiver ações concretas, ele se torna uma palavra, só uma palavra.
Amor em ação: é disso que o mundo precisa. Somente disso.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

A cor que nos impede de amar

Assisti há pouco uma matéria sobre as "cidades do pôr do sol" nos Estados Unidos.
O nome seria até poético, se o seu significado não fosse algo extraordinariamente torpe e podre: nestas cidades, os negros não podiam circular após o pôr do sol, sob risco de serem agredidos ou até mesmo mortos. Em algumas delas os japoneses também sofriam retaliação.
Logicamente, esta era uma prática do passado, apesar de ser a meu ver um tanto recente, pois data de 1950.
Tal ódio racial, porém, parece continuar até os dias atuais. Haja vista que a equipe de reportagem, cujo produtor era negro, foi expulsa de um Café enquanto gravava a matéria. A alegação era de que os clientes estavam se sentindo incomodados com ele.
Concordo com Voltaire, que escreveu: "Preconceito é opinião sem conhecimento."
Hoje me disseram que devemos buscar a Utopia. Então vou lançar a minha: um mundo em que sequer se cogite utilizar a cor da pele para dividir os seres em grupos. Um mundo em que nunca se use a raça de uma pessoa para descrevê-la. Um mundo em que simplesmente sumisse de nossa percepção o detalhe da pele.
Está muito difícil amar nos dias atuais. Sobre o uso indiscriminado da palavra "amor" tratarei no meu próximo texto.
Hoje, contudo, quero salientar que não consigo conceber que a cor de uma pessoa seja mais um motivo para justificar a falta de amor. Como pode a cor ser empecilho para amarmos?
Quando eu vou comprar roupas, aí sim, eu evito de comprar uma peça cuja cor é repetida. "Ah, já tenho uma camisa azul, então vou levar a amarela".
Concernente a afetividade, nunca a cor deveria interferir nas escolhas. Não sou contra as cotas em faculdades, em filmes, em novelas. Mas eu simplesmente não vejo a hora de um dia não serem mais necessárias as imposições para que se contrate um ator negro, ou para que eles tenham a possibilidade de estudar em pé de igualdade com todas as outras pessoas.
Um dia em que seja banida a pergunta "cor da pele" de todos os formulários, porque essa informação seria totalmente desnecessária.
Concordo com a frase de um autor desconhecido que diz que "O preconceito é a única defesa dos pobres de espirito."
E finalizo deixando meu desejo mais sincero de uma sociedade em que detalhes não façam diferença.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

O abominável homem antissocial

Por trás de um sorriso, uma
personalidade egocêntrica
Vivemos em sociedade. E isolar-se dela não é das tarefas mais fáceis, haja vista que a vida das pessoas está atrelada à convivência e na interdependência entre si.
Mas há aqueles que possuem transtornos de comportamento que fazem a vida social se tornar um martírio, quer para elas, quer para quem convive com elas.
Estes antissociais podem ser sociopatas ou psicopatas que, ao contrário do que apregoa os seriados de TV, não são necessariamente serial killers.
Um exemplo desse comportamento é o icônico Dr. House, da série de mesmo nome, que em certo episódio falou: "Eu não sou antissocial, só não suporto gente idiota. E o mundo está cheio deles."
Ser antissocial é uma característica dos sociopatas e psicopatas, como já mencionei. Some-se a isso outras características tais como mudar de objetivo de uma hora para outra. Pessoas assim estão apaixonadas por alguém e, no dia seguinte, o abandonam. Têm mudanças repentinas de humor.
São ainda pessoas em que o narcisismo impera e consideram-se o centro do universo, culpando as outras pessoas por tudo o que fizeram de errado. Por acharem que tudo acontece por causa deles, também pensam que todo cochicho, toda indireta, tudo que se fala é deles - e reagem ferozmente contra quem eles acham que os ofendeu.
Posso dar um exemplo. A cantora Miley Cyrus se pronunciou: "Não sou antissocial. O mundo é que é anti-eu... Pense nisso!"
Conviver com uma pessoa diariamente ranzinza, rabugenta, negativa (como nos desenhos animados, anda com uma nuvem de tempestade perseguindo-a acima da cabeça) é terrível. Tão ruim quanto aturar alguém que se diz ser engraçada e legal, mas que explode ao achar, erroneamente, que aquela piada que você contou era para caçoar dela.
Estas pessoas drenam nossa energia, nosso bom humor, nossa positividade.
Envolver-se afetivamente com uma pessoa assim é perigoso, pois o antissocial não demonstra empatia, ele é incapaz de se preocupar com o sentimento alheio. Falta-lhe inteligência emocional (como escrevi no meu artigo anterior). Isso significa que ela pouco se importará se você vai sofrer.
Mas o pior de tudo é que, apesar de antissocial, a pessoa com esse transtorno mostra-se num primeiro momento agradável, atraente. Porque ela tem objetivos e metas a alcançar e talvez precise de outros para consegui-los.
Assim, todo o cuidado é pouco. Cuidado com essa pessoa que sorri da boca para a fora, que olha nos seus olhos sem desviar um segundo sequer o olhar, e que em pouco tempo mostra as garras. Melhor evitar hoje para não sofrer amanhã. E com o antissocial, tenha certeza, você vai sofrer.

sábado, 17 de junho de 2017

Burro, mas de que tipo?

Sim, concordo que é uma tremenda injustiça para com o animal usar o termo "burro" para se referir a uma pessoa sem inteligência, estúpida, estulta. O burro (animal) tão somente é teimoso, mas é muito inteligente. Usei o termo apenas para chamar atenção no título e não utilizarei no decorrer deste texto, exceto na citação concludente.
O fato é que a falta de inteligência e de conhecimento pode ser encontrada em diferentes segmentos, assim como há diversos tipos de inteligência.
A mais comum, claro, é a falta de inteligência na área de conhecimento. Óbvio que ninguém consegue atingir a plenitude da sabedoria, sempre será ignorante em alguns assuntos. Uma pessoa pode dominar a Engenharia e desconhecer o hóquei no gelo. Pode ser expert em Biomedicina e não saber patavinas de Filosofia. Pode saber tudo o que se passa na vida do vizinho e desconhecer o que a esposa está passando.
Mas esta é a primeira falta de inteligência: não se importar em adquirir conhecimento, estacionar no tempo e não ler, não conversar, não obter informações. A pessoa estacionada, sem obter conhecimento, demonstra falta de inteligência.
Também podemos citar a deficiência de inteligência espiritual. Isso explica os fundamentalistas, os extremistas, os fanáticos religiosos em suas mais diversas categorias e níveis.
À pessoa que falta inteligência espiritual, todo dogma vira uma verdade irrefutável. Todo sacrifício parece martírio e heroísmo. Ela acredita cegamente em tudo o que se ensina. Uma pessoa sem essa inteligência pode ser desde o homem-bomba quanto a carola que acha que a salvação é somente dela e de quem faz o que ela acredita ser certo. Acreditar ter o monopólio da salvação também é indício incontestável desta falta de inteligência espiritual.
Temos ainda a falta de inteligência emocional. O que a caracteriza é o total desconhecimento de uma pessoa sobre seus sentimentos, o que a leva a um sofrimento voluntário. A pessoa desconsidera seus gostos, coloca os outros acima de seus desejos e anseios. Despreza-se, oprime-se. Tem todo o potencial para ser o melhor, mas mantém-se fraco e pequeno por causa de outros.
A desinteligência emocional também pode ser vista no outro extremo, quando uma pessoa desconsidera o sentimento de outrem.
Cito ainda a falta de inteligência social. A pessoa pode ser um sociopata, que se caracteriza por ser mentiroso, manipulador, egocêntrico, impulsivo. O idiota social pode ser extremamente inteligente em outras áreas, mas coloca seus anseios e prazeres acima dos outros. Parece ser encantador para conquistar a pessoa e, ao mesmo tempo que diz amar, despreza a pessoa apenas porque esta não mais lhe serve. Acham que sempre têm razão e que tudo o que se fala é sobre eles. Agem por impulso, ofendem pessoas, abandonam relacionamentos e sociedades sem pensar. Talvez seja o pior tipo de falta de inteligência.
De qualquer modo, seja qual for a falta de inteligência de uma pessoa, vale o registro do que escreveu o grande Quintana: "A ironia atinge apenas a inteligência. Inútil desperdiçá-la com os que estão longe do seu alcance. Contra estes ainda não se conseguiu inventar nenhuma arma. A burrice é invencível."

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Tatuado na testa

Mais uma vez, a sociedade se comoveu com a história do menor que foi assaltar uma residência e foi pego por um tatuador que, como punição, tatuou em sua testa uma frase tipo mea culpa.
Houve uma mobilização e arrecadaram dinheiro mais que suficiente para que ele consiga remover a tal frase. O tatuador pode ir preso acusado de tortura.
Não concordo com o tatuador, não concordo com o ladrão, não concordo com a comoção popular. Mas não estou escrevendo este texto para tratar desse assunto, porque inclusive ele se tornou cansativo.
Quero falar sobre nossos pensamentos mais secretos que tentamos esconder mas, através de atos, nós como que "tatuamos" na testa o que estamos sentindo ou pensando.
Não é preciso ser um expert em linguagem corporal para perceber algo diferente em uma pessoa.
Pode ser uma mentira que deixa a pessoa ansiosa, perturbada, agitada.
Pode ser uma ação ou informação que a pessoa esteja ocultando e ela fica escondendo o olhar, gaguejante, sem nexo em algumas frases.
Pode ainda ser um sentimento ou pensamento que a pessoa está tentando negar a si mesma e ela se torna irritadiça, ofensiva, hostil, principalmente para com aquele ou aquilo que lhe desperta o sentimento/pensamento que está tentando negar. Como diz o escritor Wilian Janez: "Negar um sentimento que de fato sentimos, nos faz amargos e infelizes."
Procurar a paz em si mesmo é resolver todas estas pendências. apagar de uma vez por todas a frase que estiver tatuada em nossa testa, denunciando nossos sentimentos e atos.
Vamos apagar os rótulos que nós nos auto infligimos, assumir nossos pensamentos e sentimentos para nós mesmos, dar o braço a torcer, não querer ser durão. Deixar de lutar contra nosso próprio corpo.
E aí sim não precisaremos nos preocupar com o que está escrito em nossas testas.


quinta-feira, 15 de junho de 2017

Seu amor é de peixe?

Um menino estava pescando com seu pai e, em dado momento, exclamou: "hum! eu amo peixe!"
O pai lhe disse: "Não, você não ama. Se amasse, você não o tiraria da água, cozinharia e comeria. Antes de tudo, você ama a si mesmo. O peixe simplesmente atende suas necessidades".
Esta foi uma adaptação que fiz da história contada pelo dr. Abraham Twerski, que ponderou sobre o fato de que a palavra "amor" perdeu muito de seu sentido.
Quando li este pensamento, coloquei-me a pensar sobre ele por vários dias e enquanto eu não escrevesse algo sobre isso não teria sossego.
Atualmente, usa-se a palavra "amor" com uma frequência incrível e de forma totalmente indiscriminada. Amar, ser amado, amarem-se... a doçura destas palavras são realmente como doce na boca de uma criança. E seu uso totalmente sem propósito e descabido também serpenteia por entre as pessoas.
Um jovem disse para a moça: "eu te amo". Mas ele na verdade acredita que ela pode suprir-lhe suas necessidades emocionais e físicas. E vice-versa. A pessoa se torna um veículo para sua satisfação. Muito do que dizem ser amor verdadeiro é "amor a peixe".
O amor verdadeiro é externo, refere-se ao que eu posso dar e não ao que posso receber.
Quando nos damos a uma pessoa, quando nos "doamos" a uma pessoa passamos a amá-la. Porque o amor próprio é natural do ser humano e quando parte de mim está na outra pessoa, eu passo a amá-la também.
Portanto, o verdadeira amor é um amor que dá, não um amor que recebe.
Tudo o mais que dizem ser amor é apenas um amor a peixe. E acaba facilmente.


segunda-feira, 12 de junho de 2017

Não seja capacho!

Ontem assisti ao filme "Homens de Honra", com as brilhantes atuações de Robert De Niro e Cuba Gooding Jr.
A personagem de Cuba era um marinheiro norteamericano que queria entrar para a elite dos mergulhadores. Por ser negro, ele se viu diante do preconceito e de muitas armações para que ele não se formasse.
Em certo momento, perguntaram para ele o motivo porquê não desistia e a resposta  dele foi: "Porque disseram que eu não conseguiria".
O mundo é um local sujo, onde impera o orgulho e o egoísmo. As pessoas pensam e olham para seus próprios umbigos e não se importam com os outros. Pior: se eles podem fazer algo para atrapalhar o crescimento de outro, eles o farão.
Há inclusive uma frase muito conhecida que diz que "para se conhecer bem uma pessoa, dê poder a ela".
Realmente já me decepcionei com algumas pessoas que, ao receber algum tipo de poder, tornaram-se insuportáveis, arrogantes, senhores feudais (ou senhoras de engenho, porque duas delas eram mulheres).
Pisar em outros é quase que uma constante, inclusive porque as pessoas sem humildade, que acham já estar no topo, só conseguem sentir que estão crescendo quando rebaixam outros.
Por isso, o apelo deste texto. Não se deixe fazer de capacho. Não fomos criados para ser pisados ou pisar. Somos pares, semelhantes e nossa constituição humana visa a equidade.
Já vi pessoas se tornarem chefes e se tornarem arrogantes. Já vi pessoas aproveitarem dos ternos sentimentos de outros para conseguir benesses. Já vi muitas pessoas metamorfosearem-se de boazinhas para inescrupulosas.
Ninguém pode pisar em você, porque você é grande, é um ser criado à imagem e semelhança de Deus, uma pessoa maravilhosa com qualidades que o fazem ser único em todo o universo.
Desenvolva seu potencial, chegue ao máximo de suas capacidades, faça o mundo ser um lugar melhor com suas qualidades, torne-se um agente de transformação.
Ninguém tem o direito de pisar em você, de humilhá-lo, de transformá-lo em um capacho. Diga não às pessoas que pensam ter poder em cima de você.
O ator Crispim Júnior escreveu: "Melhor caminhar sobre sua terra, que pisar na grama dos outros."
Cresça sempre, cresça muito e mantenha a humildade. E nunca deixe alguém dizer ou fazê-lo entender que você é menor.


sábado, 10 de junho de 2017

Sou apenas instrumento. A realização é de Deus

Não é minha intenção fazer um texto religioso com o objetivo de difundir alguma religião. É, no entanto, um texto teológico e vou procurar me dirigir para o lado da Força Superior que cada pessoa crê. Para facilitar a comunicação, vou chamar de Deus.
O fato é que faz alguns meses que venho reparando em minha relação com meu Deus. Desde criança tive um relacionamento com ele, mas somente há pouco tempo que tenho tomado tempo para realmente ponderar em como nos relacionamos. Comecei a entender melhor o que Pitágores quis dizer com a frase: "A melhor maneira que o homem dispõe para se aperfeiçoar, é aproximar-se de Deus."
Sempre, em minhas orações, conforme fui orientado em catecismos e de outras maneiras, eu pedia a Deus que me desse força e coragem para atingir meus objetivos. Mas sempre falhei.
E achava que isso seria imputado a minha falta de fé.
Pedia também em minhas orações que Deus me desse sabedoria para agir em minha vida para resolver problemas e atingir minhas metas. E por diversas vezes falhei.
Foi então que eu finalmente percebi um detalhe. Sou imperfeito e, por isso, por mais sabedoria, força, coragem ou outra qualidade que eu possa ter, ainda assim vou ser falho e VOU falhar.
A partir deste pensamento (que é meu) resolvi pedir a Deus de forma diferente: pedi que ELE resolvesse meus impasses, que ELE me auxiliasse a alcançar os meus alvos e objetivos. E foi então que tudo o que pedi se realizou. Tudo mesmo, até as coisas mais improváveis e das formas mais incompreensíveis.
Notei que eu sou apenas um equipamento, um instrumento. Se Deus precisa que eu faça algo, eu faço, se ele não precisar, eu fico apenas ali, na expectativa. Sou uma ferramente que pode ser usada, ou não.
Foi justamente quando deixei apenas a perfeição de Deus agir e afastei minha imperfeição, não a deixando atrapalhar, que as coisas que eu precisa e pedia deram todas certo.
É um fato comprovado, e é minha maneira de pensar. A energia infinita que permeia o universo atua por si só, e nós apenas atrapalhamos quando achamos que nós devemos agir. Deus é completo e nunca dependerá de nós para realizar algo.
Nosso papel é ter fé. Isso que precisamos em princípio. E disposição quando necessária alguma ação de nossa parte (se for preciso).
Deus não é nosso escravo mas, sei lá, parece fazer parte do incomparável amor d'Ele por nós fazer-nos felizes ouvindo nossas orações.
E só não dá certo quando a gente põe a mão e atrapalha. Como uma criança que fica atrapalhando o pai que está consertando um brinquedo.
Mahatma Gandhi estava certo quando disse: "Deus é puríssima essência. Para os que têm fé nele, Deus simplesmente é."
Deixe que Deus seja. E Ele passará a ser cada vez mais real para você.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Então por que deu?

Hoje não estou com muita paciência para digerir certas atitudes e consequências humanas.
Refiro-me a pessoas, especialmente mulheres, que gritam a todo peito que o pai de seus filhos não presta, pois não paga pensão e gasta todo o dinheiro com cigarros e bebidas.
E me pergunto indignado: por que deu atenção para ele um dia? Por que deu seu coração a uma pessoa que fumava e bebia? Por que deu as costas aos conselhos dos pais que diziam que aquele cara de bermuda e bonezinho que não trabalhava e ficava o dia todo à toa não era uma boa pessoa para você?
Pior ainda: por que deu um filho a essa pessoa? Por que deu seu corpo a ele?
Sei que há um tipo de pessoa conhecida como "interesseira". Inescrupulosa, a interesseira suga o que há de valioso e interessante nas pessoas enquanto esta lhe serve aos propósitos. Lembro da frase de Leandro karnal: "Quem respeita o governador e não respeita a faxineira não é um líder e sim um interesseiro."
Pessoas dessa estirpe maquiavélica engolem sapos para atingir seus objetivos. Mesmo que seja estarem presas a alguém inculto e incapaz de demonstrar sentimentos, desde que atenda seus planos. Pessoas interesseiras, mesmo dizendo-se carentes, trocam o sentimento por benefícios pecuniários. Essas não são o caso do texto de hoje.
Eu me refiro a pessoas que, na ânsia de provar sua liberdade, de dizer que querem elas próprias escolher o melhor para suas vidas, escolhem a ralé.
Cometem o sacrilégio de chamar de amor um envolvimento com uma pessoa visivelmente incapaz de manter um relacionamento. Uma pessoa que não tem nada a oferecer. E chegam ao ápice da insanidade ao colocar no mundo uma vida inocente fruto de uma relação duvidosa e sem futuro.
Então o cara some. E começa a cobrança por pensão, as ofensas, as brigas. Como se tivessem direito de exigir garantia de um CD pirata...
Por que deu essa chance para o vagabundo?
Por que deu oportunidade ao ordinário?
Agora não há como se arrepender. Devia ter ponderado mais sabiamente antes de se envolver. Mas a pergunta sempre será a mesma: por que deu?


terça-feira, 23 de maio de 2017

Poema: A ordem

O vento cortante que passou por entre nós, última vez, correu contar a um anjo tudo que lhe falei.

Do vento, o anjo para Deus voou.
Contou a Ele, com detalhes, toda nossa conversa.
E Deus sorriu...

De Deus, o anjo à Terra voltou.
E soprou novo vento para saber de nós.
O vento cortante que esfriou minha lágrima.

E o anjo não quis contar a Deus que eu chorava.
Mas Deus sabe.
Desta vez, Ele não sorriu...

Ele sabe que dói...
Também sabe a solução.
Deus chamou o anjo
E deu-lhe uma ordem.

Só que o anjo ainda não a cumpriu.
E eu ainda não sei qual foi a ordem.
Porque poetas entendem de anjos
E não das vontades de Deus.


segunda-feira, 22 de maio de 2017

É preciso ser mais humilde

A gente pode perder tudo o que tem, menos o principal: nossa essência.
Tem uma frase popular que diz, se não me falha a memória, que não importa se temos mestrado, doutorado ou qualquer outro tipo de formação - não valemos nada se não cumprimentamos a pessoa que serve o cafezinho ou que abre a porta para entrarmos no prédio.
Confúcio disse: "A humildade é a única base sólida de todas as virtudes."
E se pararmos para meditar nisso, realmente seria deveras perigoso desenvolver qualquer virtude ou qualidade se não nos embasarmos na humildade para controlar nossos anseios egoístas.
Ao contrário do que possa parecer, humildade é uma característica dos fortes. Nenhum fraco consegue demonstrar humildade.
Essa característica é justamente o reconhecimento de nossas limitações, sabendo onde chegamos e que ainda não atingimos (e nunca atingiremos) o topo absoluto - sempre haverá espaço para crescimento.
O humilde reconhece ainda, acima de tudo que o outro, independente de quem seja possui alguma qualidade ou característica em que o supera e, por isso, o respeita.
Quem não reconhece suas limitações não tem mais como estabelecer objetivos, porque já acha que está no auge.
Pior que isso: quem não tem humildade é tolo.
O humilde está sempre em franco crescimento, porque reconhece seu tamanho. Contudo, a pessoa sem humildade, para continuar crescendo, precisa diminuir quem está ao seu redor. É uma pessoa ardilosa, sem escrúpulos, prejudicial... e sozinha.
Talvez seja por isso que demorei a começar a buscar maior formação - precisava urgentemente desenvolver em mim uma necessária humildade. E agora estou continuando minha formação: aprendi dois idiomas, estou me graduando em Recursos Humanos, apresento um programa de TV, um de rádio, estou concluindo a escrita de um livro, faço palestras e escrevo um blog que está chegando a 140 mil acessos. E continuo amigo de todo mundo (bom, há exceções, claro). E não preciso de bajulação ou de falsidade para fazer isso.
Mas não é um diploma, uma qualificação, uma história que vai me fazer deixar de cumprimentar as pessoas ao meu redor, independente de quem seja.
A palavra humildade vem de "húmus" (de onde se origina também "humano") e significa terra, o que nos lembra que somos feitos de terra, que vamos para a terra e que o chão nos mantém equiparados, no mesmo nível. Cada um com sua importância.
Portanto, antes de humilhar, ou querer jogar por terra, a auto-estima de alguém, pense em suas limitações, e lembre-se que você as tem.
Seja humilde e continue a crescer.
Como nos lembra o romancista indiano Rabindenath Tagore: "quanto maiores somos em humildade, tanto mais próximos estamos da grandeza."

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Não importa, mas ainda vale

Quando todas as expectativas caíram e tornaram-se frustradas, quando todas as forças já se mostraram exauridas, quando já se incutiu a certeza plena de que esforço algum resultará em qualquer mudança... a gente é obrigado involuntariamente a deixar-se de importar.
Mas somos seres muito desequilibrados. O mundo nos fez ser assim. Separou em nós a razão e a emoção e ambos atuam em maior ou menor porção conforme lhes convém. Digo isso porque mesmo sem se importar, o pensamento não apaga nem o ser, nem a ideia.
Esquecer seria ingratidão com a história vivida. Ainda mais se a história nos mostrou que temos valor, que podemos ser queridos, que ter auto desprezo é infundado, porque nos mostraram que podemos tocar o coração doutrem.
Assisti 14 vezes o filme "O Carteiro e o Poeta". A canção tema de abertura do filme é maravilhosa, mas somente agora que tive oportunidade de ouvir a versão cantada e ter acesso à letra. E essa música, "Mi Mancherai", motivou-me a escrever hoje.
Sinta a poesia de alguns trechos:


Perché l'amore in te si é spento
Perché, perché?
Non cambiera niente lo so
E dentro sento te
(Por que o amor em você se apagou?
Por quê, por quê?
Não mudará nada eu sei
E dentro sinto você)
...
Mi manchera l'immensita
Dei nostri giorni e notti insieme noi
I tuoi sorrisi quando si fa buio
La tua ingenuita da bambina, tu
(Me faltará a imensidão
Dos nossos dias e noites juntos
O teu sorriso quando fica escuro
A tua ingenuidade de uma criança)

Hoje estendi-me um pouco no texto, desculpem-me, mas essa descoberta foi-me de tal modo deslumbrante que já ouvi a canção quase uma centena de vezes e me emociono todas as vezes (inclusive agora que escrevo a vocês).

A gente pode então deixar de se importar com uma pessoa, de aparecer na vida dela, de se preocupar com ela, pode-se até mesmo sumir por completo e achar que a odeia.
Mas esquecer? Como se faz isso?
E concluí apenas que isso só nos acontece porque somos humanos.

E não fui eu... foi Drummond (sim, o mestre!) quem simpaticamente escreveu:
"Se um dia olhar para o céu e não te ver, é que sou a onda do mar e não consigo te esquecer, sou feliz do teu lado sem do seu lado estar, pois você é isolado no meu modo de pensar, quando estou triste e não tem solução, lembro que você existe e mora no meu coração!"

E acho, em conclusão, que a Lua deveria entender (e aceitar) que mesmo oculta entre sempiternas nuvens, não há como dela o marinheiro se esquecer, pois as ondas do mar para sempre denunciarão sua influência.


segunda-feira, 8 de maio de 2017

Tomou? Bem feito, mereceu.

No meu livro "O Homem que Lia Pessoas" há uma conversa muito interessante sobre a criação de expectativas. E tenho visto muitas pessoas dizendo e escrevendo no face sobre a criação de expectativas.
Sendo assim, acho desnecessário usar este espaço para retomar este assunto. Mas posso aprofundar, tratando de algo similar que também nos machuca muito.
Na crença cristã, a Bíblia ensina em "fazer o bem sem olhar a quem", o que cabe diversas interpretações. Por exemplo, fazer o bem sem ver se a pessoa merece, fazer o bem mesmo que seja para um inimigo.
Eu interpreto esta expressão como sendo que deveríamos fazer o bem sem esperar receber nada em troca. E agora que vem a magia da interpretação deste texto.
Nós muitas vezes nos desdobramos em ajudar uma pessoa esperando receber dela uma recompensa que não é tangível: receber pura e simplesmente reconhecimento.
Mas me escuta: não espere isso.
Espere pagamento em dinheiro, mas reconhecimento e gratidão nunca.
Às vezes vêm, não restam dúvidas. Mas quando vêm é sem esperar, sem exigir da gente ficar parado aguardando como se fosse o guri que trouxe suas malas até seu quarto no hotel e fica ali imóvel, esperando gorjeta.
No mais, o tipo mais comum de pessoas que encontramos são manipuladoras.
Não espere NADA de alguém por quem você fez muito. Vão acontecer duas coisas: a pessoa vai achar que seu favor era obrigação e, por isso, será indiferente para ela sua atitude (a caixa tem pouca utilidade depois que levou o produto até você). E a segunda coisa é que há uma probabilidade extremamente grande de se ouvir palavras dolorosamente más, do tipo: "preferia não ter conhecido você"; "você não tem amor próprio"; "todos têm dó de você".
Mas enquanto ouvimos isso de uma pessoa que não parece ter tido o berço e a orientação maravilhosos que os pais deram, temos o apoio de amigos como:
Victor Hugo: "Os infelizes são ingratos; isso faz parte da infelicidade deles."
Goethe: "Ingratidão é uma forma de fraqueza. Jamais conheci homem de valor que fosse ingrato."
Alexandre Dumas: "Há favores tão grandes que só podem ser pagos com a ingratidão."
Mas agora, se você fez o bem para uma pessoa e tomou um tapa moral, não chore...
Haha, bem feito, você mereceu!

segunda-feira, 1 de maio de 2017

NÃO SE MATE!

Estamos em tempos de depressão.
Depressão moral com tantos crimes, depressão política com tantos desmandos, depressão financeira com tantas incapacidades, depressão espiritual com tantas religiões ávidas por dinheiro ou abusando de menores.
Os tempos estão impondo tristeza, principalmente para quem está embarcando agora na vida adulta, que está começando a tomar decisões sérias, está iniciando sua carreira como gente grande.
E surgem neste ambiente externo ruim muitos incentivos piores ainda. A Baleia Azul chegando com tudo propondo desafios aos jovens. Os ídolos da música e do cinema envoltos em problemas com drogas e alguns dando um basta no viver. As famílias perdidas entre o cuidar de casa financeiramente ou emocionalmente. Pais que ficam cada vez menos porque precisam trabalhar cada vez mais.
Cortar-se parece não estar mais sendo suficiente para o jovem aliviar-se. E não que se cortar seja aceitável, mas era o escape torpe que eles encontravam.
E os relatos de pessoas que tiram a vida aumenta. E eu ainda tenho recebido relatos de pessoas que tentaram tirar a vida, por uma, duas, ou mais vezes.
Isso é preocupante.
Dizer que quem se mata vai para o inferno não funciona mais. O inferno parece fichinha para quem sofre aqui. Fanáticos, parem de tentar criar um medo que não surte efeito. Mandar para o inferno ou para o umbral um suicida não ajuda em nada para ele evitar se matar.
Roberto Shinyashiki comentou: "As feridas da alma são curadas com carinho, atenção e paz."
É isso que precisamos. Dar carinho às pessoas, dar atenção às pessoas, causar paz a todos. MESMO ÀQUELES QUE NÃO CONHECEMOS.
A dengue prospera tanto no Brasil porque as pessoas ainda se preocupam apenas consigo. Temos de pensar maior, pensar nas pessoas. Mudar o mundo é pensar nas pessoas.
E não! Matar-se não é a solução dos problemas. Porque dívidas, amores impossíveis, perdas irreparáveis não são nada e nunca poderão ser solucionados se não estivermos vivos.
Sempre há solução para problemas, mesmo que a solução não seja a que queiramos. Mas pode no fim ser melhor do que queríamos. Mas como saber se pusemos fim em tudo antes da hora?
Meu pedido: não se mate.
Antes, fale comigo, peça ajuda, ouça uma palestra motivacional minha.
Vamos juntos fazer o mundo ser melhor.
E tenha certeza: o mundo não vai ser melhor se você estiver faltando nele...

terça-feira, 25 de abril de 2017

Os presságios do Facebook

Não acredito em misticismo e presságio. Na verdade, usei o termo no título deste texto só para chamar a atenção e para brincar com algo que me pareceu interessante.
Sapeando as postagens do Facebook, vi que muitas pessoas postam frases de efeito. Deixando os erros de português de lado, geralmente a frase não vale o tempo que se perde lendo-as.
Mas desta vez, não sei por que razão, o Facebook estava inspiradíssimo e permitiu-me elaborar o texto de hoje sem usar frases de pensadores e celebridades, senão dos humanos comuns, como nós, que postamos na rede social.
Sei que as frases não são de autoria própria, mas vou citar o dono do perfil para dar crédito às citações. Lembrando que são postagens na linha do tempo, disponíveis para o público ou amigos. Nenhuma pessoa me enviou mensagem em particular.
Comecei lendo minha amiga Aline Rodrigues, que me deu um tapa na cara quando postou: "Não mendigue nada a ninguém , muito menos amor..."
Eu que estou nessa mendicância há alguns meses, senti-me citado na frase, apesar de não ser para mim. A carapuça, porém, serviu-me sob encomenda.
Amor é gratuito e espontâneo. Ter de mendigá-lo é descer abaixo dos porões do auto desprezo.
Aí vem a Fernanda Figueiredo  formando um combo com a frase anterior e postando: "Nunca te acostumes com o que não te faz feliz."
E eu acabei de falar para minha psicóloga que gosto de ser triste! Claro, justifica-se essa minha posição porque sou poeta formado na escola Romântica. Tenho as características de Mal do Século, Supervalorização do Amor, Supervalorização da Mulher entre outras...
Mas acostumar com o que não nos faz felizes é masoquismo, e está longe de ser romântico. Mesmo o poeta deixará de amar a Lua se esta só lhe apresentar seu lado negro.
A Eliana Gonçalves Lopes completou com "Cada qual sabe amar a seu modo;o modo pouco importa; o essencial é que saiba amar."
Aí é que fiquei em dúvida. Se uma pessoa maltrata mas está sempre se fazendo presente, isso é amar de alguma maneira? Preciso pensar melhor nisso. Mas a Eliana está coberta de razão na postagem.
E para concluir, vou citar a Jéssica Jeh, com uma frase que é auto-explicativa e fecha esse texto quase que fazendo amanhecer minha noite escura: "De tanto ser esquecido, uma hora ou outra a gente também aprende a esquecer. E tudo no seu tempo vai se ajeitando, o destino se encarrega de levar o que tem que ir, e trazer o que definitivamente tem que ficar."
Ai, ai... mas a Jéssica falou de destino... gente, desculpe, mas não posso deixar de citar Jung: "Até você se tornar consciente, o inconsciente irá dirigir sua vida e você vai chamá-lo de destino."
Por um amor consciente em nossa vida! Tim, tim!


segunda-feira, 24 de abril de 2017

Parecem iguais, mas são totalmente diferentes

Relacionamentos. Isso dá material para muitos e muito artigos. Chego a pensar que tudo o que acontece no mundo, no fundo, no fundo, é por causa de relacionamentos.
Quem procura luxo, riqueza, poder, está buscando meios de atrair relacionamentos. Sejam quais forem. Dizia Deepak Chopra, professor e médico indiano: "Seja qual for o relacionamento que você atraiu para dentro de sua vida, numa determinada época, ele foi aquilo de que você precisava naquele momento."
O tema de hoje fala um pouco mais sobre isso. Sobre as pessoas parecerem tão iguais e serem tão diferentes. E vou narrar em forma de fábula, para diferenciar um pouco.
Lá vai:
Eles eram parecidos. Eram retangulares, cor de areia, mesmo formato, idênticos para quem os olhasse.
Havia um tijolo, e havia uma esponja. Olhando, não havia o que por ou o que tirar, encaixavam-se, rimavam-se, pareciam-se a ponto de confundirem.
Mas ele era duro. Ela, absorvia.
Ele era senhor da noite. Ela, poetisa.
Mas quem olhasse, via um só.
Mas ele era áspero, não se deixava quebrantar e era forte, pesado, inflexível. Permanecia forte, firme, e não se deixava amassar.
Ela, pobre dela, que era leve, manipulável, amassava-se com facilidade, empurrava-se para lá e para cá. Machucava-se, ao que parece, com maior facilidade.
tijolo
Ela, que era esponja, gostava dele, que era tijolo, que não gostava dela. E nem era obrigado a gostar, mas tratava-a mal, como era de se esperar de um tijolo. E isso não se pode admitir.
Poemas, cartas, músicas, expressões de carinho... "Você me sufoca", dizia o tijolo. "Você enche", gritava o tijolo.
Um dia, como era previsível, não deu certo.
esponja
E ela, esponja, era resiliente, e continuou seu caminho, porque a esponja foi amassada, mas tinha qualidades que a faziam recuperar suas mesmas proporções. E tudo o que absorveu, serviu para refrescar-lhe o caminho.
Já ele, tijolo, seguiu áspero, achando poder tudo. Até que deparou-se com a pedra. E quebrantou-se inteiro. E nunca mais se recuperou. E nem a esponja poderia mais consertar o estrago (se quisesse consertar).
Não seja duro como o tijolo, não maltrate nunca quem lhe apresenta expressões de afeto e carinho. E se alguém o amar, mesmo que você não o ame, trate-o bem, muito bem.
Seja esponja, seja poeta, absorva tudo e seja leve.
Isso faz diferença na hora de definir quem vai quebrar.



quinta-feira, 20 de abril de 2017

O chamado da Baleia Azul

Está tomando vulto a brincadeira que causou já a morte de dezenas de adolescentes russos e até o momento, pelo que se suspeita, de dois adolescentes brasileiros. A brincadeira denominada Baleia Azul, em que se determinam uma série de tarefas a serem  realizadas pelo adolescente até chegar na prova derradeira, que é tirar a própria vida.
Aí, sapeando pelo facebook, lemos atrocidades, tais como dizer que quem entra nesse jogo é desocupado, é vagabundo, que falta apanhar, que precisa de um trabalho, que o poder é do manto azul de uma santa etc., etc.
Muito mais medo do que essa brincadeira, na verdade, eu tenho do desconhecimento e da falta de senso das pessoas. Os adeptos da cinta, da pancada (não que eu seja totalmente contra os tapinhas amáveis que levei de minha mãe).
A inserção de crianças e adolescentes nesta brincadeira é um grito de socorro. Os adolescentes querem ser amados e eles não estão encontrando isso nas famílias. Educar é amar até certo ponto. Alimentar é amar até certo ponto. A cuca dos adolescentes é puro problemas e a sociedade moderna, a facilidade de acesso à informação está enchendo-os de muitos problemas insolúveis. Eles precisam dos pais, que trabalham cada vez mais para botar comida e pagar estudo para os filhos. Atitude elogiável mas que deixa o adolescente à mercê do carinha que manda o whatsapp com as regras do jogo.
O perfil da maioria dos que entram na Baleia Azul é de uma família sem estrutura. Os filhos querem os pais, precisam dos pais, precisam de um norte, de um adulto, de alguém que os oriente. Alguém que não diga que chorar pelo "crush" é besteira. Alguém que entenda que se cortar é uma forma de fuga e não sinal de que o jovem está louco. Alguém que muitas vezes não precisa falar e nem estar certo, precisa apenas segurar firme na mão e mostrar que está ali.
Vejo Poesia nisso. Uma Poesia dando um grito imenso. O professor e médico indiano Deepak Chopra escreveu: "O desconhecido é o território dos amantes."
O jovem corre atrás dessa Baleia Azul e correrá atrás do LSD, do cigarro, do que for que se fizer desconhecido para ele. Porque, no fundo, seu maior desconhecimento é do que é ter orientação perita de pais amorosos. Ele quer ter atenção!
Li numa reportagem que certa adolescente tão logo recebeu mensagem de um "guia" do Baleia Azul tratou de bloqueá-lo. Por que ela fez isso? Acaso porque ela não é vagabunda, porque apanhou, porque estava no manto da santa? Prefiro acreditar que foi porque ela pensou nos pais que a EDUCARAM.
Educação não é responsabilidade primária da escola. A escola deveria ensinar somar, dividir e ler. A família deveria incutir valores, pesos, medidas, mas falha nisso e recai nas instituições a dura carga de formar pessoas de bem aos jovens que chegam todo arrebentados para ela.
E sinto muito a sinceridade aguda que usarei. Sempre disse que odeio lugar-comum e pensamentos de massa. Por isso, atribuem ao maligno ditador Hitler a frase: "O indivíduo é inteligente , mas as massas são burras."
E enquanto as massas não amarem os adolescentes ao invés de tachá-los quais preguiçosos e coisas assim, vamos entregá-los aos baldes e numa bandeja para a extinção junto à Baleia Azul.


quarta-feira, 19 de abril de 2017

Nada é por causa dela

NOTE a estrofe inicial da música "Virgem" cantada por Paula Toller:

"As coisas não precisam de você
Quem disse que eu tinha que precisar
As luzes brilham no Vidigal
E não precisam de você
Os dois irmãos também não precisam."

Interessante nas relações interpessoais o valor exagerado que damos ao ser humano.
Logicamente, somos humanos e devemos nos valorizar. Mas supervalorizar um ser em detrimento próprio e de outros é colocar-se num jugo perigoso e entregar-se a uma obsessão que pode ser perigosa.
Aquela moça ou aquele rapaz não eram ninguém, até que você o conheceu. Aí foi o sorriso, aí foi o olhar, ou foram as palavras bem postas, ou sabe-se lá que raio de Poesia a pessoa usou contra você e acontece.
Parece que tudo passa a depender da pessoa. E isso não é verdade. É simplesmente VOCÊ que quer depender da pessoa. E entenda direito: você é que quer depender e não que você precise depender.
Essa ideia fixa é perigosa porque passa a influenciar todos os aspectos de vida da pessoa. Pode prejudicar o trabalho, os estudos, os demais relacionamentos familiares e afetivos.
Deixar que uma pessoa seja única em sua vida é, desculpe a sinceridade, jogar com muito pouco. Um jogo arriscado e com chances grandes e reais de fracassar.
O jogo funciona bem assim: a pessoa não era nada, passa a ser a mais importante e você passa a fazer planos e projetos para o futuro. Um futuro que conta com a presença da pessoa que, muitas das vezes, sequer deseja participar.
Temos a tendência de achar que conseguimos mudar os pensamentos e os sentimentos de uma pessoa. Acredito que seja possível, mas acredito também que não é possível. É um jogo, eu disse, e também acrescentei que é arriscado. Há o risco de sofrer, entristecer, perder tempo.
Uma pessoa que não se importa verazmente com você é alguém que não merece seu pensamento menos importante, quiçá os planos de futuro.
Nesse ponto, há pessoas que se divertem com o sentimento alheio. Mantém em banho-maria o que você tem de mais belo a oferecer. 
Abra os olhos. Vire a mesa. Quem tem de sofrer é ele (a) e não você!
As coisas não precisam dessa pessoa para continuarem a existir, você também não!
A Lua não precisa ser alguém para continuar bela e controlando as ondas do oceano.
Não dependa de ninguém, além da pessoa mais importante do mundo: você mesma!

sábado, 15 de abril de 2017

Por mais que se explique, não entendem

"Sabe o que eu mais quero agora, meu amor?
Morar no interior do meu interior." - Vander Lee


Não se manda no coração. Manda-se sim!
Coração não se ordena, ele tem de ser convencido.
Sempre digo: odeio o uso de lugar-comum. Toda convenção pode ser desconvencionada, pode ser repensada em outros padrões em mais modernas decisões em base de maior sabedoria.
O coração é um músculo burro, ele não pode ficar xucro, libertino, sem dono. Senão ele faz besteira.
Poetas mexem com corações. Convencem-nos em pessoas que as deixam convencer.
Existe o "não te amo" mas não se pode dizer "nunca vou te amar".
Conheço uma pessoa que tinha asco de seu atual marido. Tinha medo, receio, nojo da pessoa que viria a ser seu amor por mais de 20 anos (e que continua sendo).
Como ele fez para mudar esta ideia? Fez Poesia.
Não, ele não escreveu poemas, ele fez Poesia da maneira que ele sabia ser poeta.
Ele mandou flores, ele ligava, ele se importava, ele cuidava, ele era presente, ele tinha boas intenções.
Ele era a melhor pessoa para ela. Tratava-a melhor do que as pessoas que deveriam cuidar dela.
E ela um dia enxergou. Deu a chance, deu certo.
É dolorido ver a pessoa sofrendo, batendo a cabeça por ser como ela é, e não como deveria.
Uma pessoa que se aventura mas não quis aventurar-se no rumo certo. Bate cabeça, machuca-se, sofre.
O poeta, impassível, tenta explicar, mas é o que mais sofre as consequências.
Então que o tempo entra.
Certa mocinha namorou um rapaz quando tinha 17 anos. Seu primeiro namorado. Quis as intempéries dos tempos que ela conhecesse um rapaz garboso de São Paulo que se casou com ela. Nunca mais então ela viu ou pensou no primeiro namorado.
Décadas se passaram, mais de quarenta anos. E ela enviuvou. Foram oito anos curtindo a depressão pela viuvez. Até que se lembrou do ex-namorado.
Procurou na lista telefônica, encontrou o distinto. Encontraram-se, namoraram-se. Ambos com mais de 70 anos.
Quando ela morreu, ele morreu uma semana depois.
O jeito é deixar para o tempo fazer acontecer as coisas mais imprevistas da vida. As coisas acontecem, basta querer, eu acredito nisso.
Mas enquanto não acontece, e a outra parte insiste em não entender que a melhor opção é o poeta, canto Vander Lee... e vou me esconder no interior do meu interior.


quarta-feira, 12 de abril de 2017

Queria você como eu queria


Estou estudando italiano. Uma maneira de ocupar-me o tempo ocioso de maneira mais prática.

Ouvindo uma música chamada Il Monde Degli Altri (música no final da postagem), na voz de Renato Russo, fiquei intrigado com alguns trechos. Por exemplo

"C'è un telefono a due passi e ho bisogno di sentirti
La tua voce può bastarmi per convincermi che esisti"
que significa:
(Há um telefone a dois passos e eu preciso te ouvir
Sua voz pode ser o bastante para me convencer que você existe)

Isso revela um pouco de um sentimento que estava perscrutando em mim. As pessoas que se apaixonam fácil demais apaixonam-se não por um ser real, mas pelo ser idealizado que eles criam como uma áurea em torno da pessoa.
Este ser idealizado seria, em tese, a pessoa com quem se poderia viver para o resto da vida, que teria todos os predicados necessários para fazer-nos felizes em todos os momentos e nas mais diversas situações.
Mas são seres irreais, fictícios, ideais, que vivem somente na utopia poética. São uma capa com que revestimos uma pessoa eleita para vestir esse manto irreal. E a pessoa, pobre pessoa, não teria condições de alcançar o ser supremo que fora idealizado. 
Mas o poeta tenta enxergar assim, tendo relevar as falhas, tenta desculpar todos os escorregões. Tenta ver o belo no ogro, o perfeito no decadente.
Um detalhe, como diz a canção acima transcrita, seria o bastante para convencer que a pessoa existe. Mas não existe, isto é fato.

"Il mondo degli altri che non son con me
Ma non me ne importa se sono con te"

(O mundo dos outros que não estão comigo
Mas não me importa se estou com você)

E este isolamento do mundo, achando que somente a pessoa ideal é que vale toda a pena é o grande perigo. Porque abrimos mão de tudo por conta de algo que não existe. Abrimos mão até de nós mesmos por causa de alguém que é irreal, um fantasma, uma ilusão.
Queria muito que fosse como eu queria, como eu sonhava, como imaginava. Queria que a Lua fosse como a lua, cândida, pura, minha. Mas não é, nunca é.
Muito cuidado. Por isso quero registrar o que Renato também cantou: "Mas é claro que o sol vai voltar amanhã mais uma vez".


segunda-feira, 10 de abril de 2017

O beijo da morte

No "Canto para Minha Morte", de Raul Seixas, ele diz assim:

"a morte, surda, caminha 
ao meu lado 
e eu não sei em que esquina 
ela vai me beijar..."

E enquanto brincamos de viver, lutamos para viver, falamos tanto em viver, chamamos quem amamos de vida, exclamamos "puxa vida", reclamamos da vida... a morte segue serena ao nosso lado, apaixonada por nós, não se esquecendo de nós um momento sequer, esperando o horário exato de dar o primeiro e derradeiro beijo.
Uns, querem viver eternamente. Outros, pensam em morrer mas lhes falta coragem. Há os que são surpreendidos por ela.
Os que desejam morrer, desejam sem razão suficiente. Amores mal resolvidos, problemas de difícil solução, dívidas não pagáveis, ou mesmo por não encontrar razão em continuar vivos.
Não os condeno. As religiões fazem isso muito bem (na tentativa de evitar os suicídios, mas falham).
Quantas pessoas desejam viver e uma doença inesperada lhes coloca prazo determinado e curto na existência.
Freud comentou que, para suportar a vida, deve-se estar pronto para aceitar a morte.
De qualquer forma, o texto de hoje é para alertar.
Que hoje somos, amanhã, éramos. Como no tempo de um verbo, uma conjugação que foi, simples e singela, rápida assim.
Daí vem o pensamento de Da Vinci, "que o teu trabalho seja perfeito para que, mesmo depois da tua morte, ele permaneça."
O que somos agora é o que importa. O amanhã é uma previsão que pode não dar certo. É aquele tempo chuvoso que pode ser sol, ou vice-versa.
Não deixemos para amanhã as ações, as declarações, as atitudes, as decisões, os pedidos, as resoluções, os beijos, os abraços, os sorrisos, os "fazer sorrir".
A transformação é sempre agora. Porque o amanhã é ilusório, é uma desculpa, é uma incógnita. É uma incerteza.
A certeza transformadora é somente agora, e urgente. Porque sabe-se lá em que esquina a indesejada das gentes vai querer me beijar.

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Pronto para a troca

Deparei-me com uma postagem no Facebook que me deixou intrigado e, sinceramente, fiquei um bom tempo sem saber como responder ou o que pensar.
A postagem era uma pergunta: "Trocaria uma pessoa que você ama, por uma que ama você?"
Essa pergunta nos coloca duas situações de mão única. Primeiro, apenas nós amamos. Na segunda, apenas somos amados.
As pessoas que consultei foram rápidas em responder que fariam a troca sem pestanejar.
Mas eu não consegui ter essa presteza em decidir-me. Ponderei muito e demoradamente sobre a situação.
Como poeta de uma escola literária romântica, minha formação pede que supervalorize o feminino, o amor, entre outras características.
Já mencionei em outras postagens que sou do grupo que gosta de cuidar a ser cuidado, a que denominei de síndrome de anjo da guarda. Posteriormente, descobri que se trata do Complexo de Wendy, que é justamente a extrema necessidade de satisfazer as necessidades dos outros.
Deste prisma, não pareceria impossível optar pela primeira opção, de ficar com quem amamos, mesmo que este não nos ame (e já tenha deixado claro que não virá a amar).
Sei que amor pode vir a ser em um coração que não ama. Mas é um salto muito arriscado no escuro.
Ainda pensei que seria muito egoísmo de minha parte se eu deixasse de querer cuidar e optar por ser cuidado.
Mas quer saber? No final de minhas ponderações sempre insisti em colocar a argumentação de que eu queria ser feliz.
E quanto de felicidade eu teria em amar alguém que não me ama, que me trata de acordo com seus interesses (isto é, bem quando convém). Uma pessoa que não demonstra se importar com seu bem estar, que fala coisas que o magoam, e que pratica atos para mantê-lo distante?
Prudentemente, temos de enxergar que a pessoa a quem só amamos tem seus próprios planos e muitas vezes não consegue mais ter sentimentos. Amar, somente a si mesma e procura apenas encontrar alento e conforto para si própria.
Foi então que decidi-me: será uma troca válida deixar quem eu amo (e não estou dizendo deixar de amar, que isto não é tarefa fácil) por aquela que me ama.
Acho que estou preparado, porque tentei.
Como na frase do filósofo Nietzsche: "Você tem que estar preparado para se queimar em sua própria chama: como se renovar sem primeiro se tornar cinza?"

sábado, 1 de abril de 2017

Quando a gente deixa (ou o fim de uma eternidade)

Concordo com o leitor que achou o título desse texto paradoxal. Como poderia uma eternidade chegar ao fim? Pois é, há pequenos infinitos dentro de nossa existência que continuarão sempre vivos e existentes, mas que acabarão sendo deixados de lado. Talvez não seja por nosso querer, mas por força do soprar dos ventos, pelo vai e vem das ondas, e pelas tempestades que surgem.
De qualquer forma, não me sai da cabeça o Soneto de Fidelidade de Vinícius.

"Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure"

Às vezes, bastam detalhes, "quês" mal definidos, palavras mal colocadas, atitudes impensadas ou incompreendidas e de repente muda-se o que parecia ser imutável.
Casamentos chegam ao fim, fé é questionada, time sai do coração, vocação "desvocaciona-se". 
É como a conversa no País das Maravilhas entre Coelho e Alice:

"Alice: Quanto tempo dura o eterno?
Coelho: Às vezes apenas um segundo."

Desistir também é opção.
Quando se trata de relação interpessoal, não se pode exigir reciprocidade proporcional, isto é, ninguém pode amar e exigir ser amado, por exemplo.
Ninguém pode doar-se e esperar doação em troca.
Mas é preciso ponderar se ao menos o respeito à essência humana existe.
Somos produtos com data de validade. Alguns ainda têm um prazo reduzido por conta de algum imprevisto. E tempo é sem dúvida um bem precioso. Os mais ricos nesse quesito, como a francesa Jeanne Calment, teve 122 anos e 167 dias para esbanjar. Nossa expectativa no Brasil é 73,6 anos e há escritores que não sabem se conseguem virar o ano.
Por isso, como se sujeitar a uma pessoa que o despreza em dados momentos? Que não reconhece o bem que lhe quer? Que um dia é amores e outros lhe toca terrores?
Como se sujeitar a situações sentimentais, laborais, relacionais que lhe deem dores no peito, angústias, ansiedades? O cronômetro está rodando de trás para frente.
Em conclusão, ponderemos: mesmo que ainda nos importe muito algo ou alguém... se não nos valoriza, deixe.

terça-feira, 28 de março de 2017

Uma Poesia diferente

Está totalmente erguida minha bandeira de combate ao pensamento de senso comum, e aos lugares comuns de toda e qualquer espécie.
Pensar como a maioria não é o ideal. Empatema (quando duas pessoas pensam igual e chegam a dizer a mesma frase) pode ser bonito, para muitos é sinal de afinidade e do encontro de almas gêmeas, mas esse tipo de romantismo é dispensável.
Nada mais lindo do que se completar nas diferenças. Assim é possível chegar mais perto do "todo".
Seria horrível e impossível haver só lados direitos, somente subidas, apenas o claro. A compensação é necessária, os pensamentos diversos são importantíssimos.
Quando Bandeira escreveu que estava cansado do lirismo que não era libertação, eu o cubro de razão.
Poesia não é escudeiro de apaixonado, que pretende escrever tão somente para conquistar (embora sabendo-se fazer, é ação infalível!).
Poesia não é sinal de status para colocar ao alto egos inflamados e fazer aflorar egoísmos toscos.
Está chegando a hora deste poeta escrever uma Poesia diferente.
Porque estupidez também é sentimento.
Porque o sentimento também é poluto, feio, arrogante, quando nossos sentidos assim pedem.
Como é lindo ver um poeta sofrer porque ama alguém. É lindo ver um poeta ansioso por encontrar-se com sua amada enquanto esta o despreza. É lindo e exuberante um poeta fazer tudo e receber apenas migalhas em troca (e tratar essas migalhas como se fossem diamantes).
É tudo lindo, só não é lindo estar na pele do poeta que sofre decepção, sofre abandono, sofre ansiedade, sofre sem mesmo saber que está sofrendo, enganando-se com a ilusão de um amor mendaz.
Basta! Se o lirismo não for libertação, se não trouxer o prazer de abrir o peito para os reais sentimentos, se não for o quebrantamento dos grilhões em formato de coração que machucam a alma de quem sente, eu deixo já de ser poeta, renego essa maldição com que nasci!
Está chegando a hora de uma Poesia diferente. Crítica, serena, contumaz, decidida. Machuque se for para machucar, mas que machuque o outro e não quem fez a Poesia surgir.
Está chegando a hora de uma Poesia que vire a mesa. Nada de olhar para Whatsapp 185 vezes no dia esperando um "online". Nada de entrar no Facebook e esperar por uma postagem que, quando aparece, não é para ti. Nada de mendigar umas poucas horas de companhia como se fosse um favor apaziguar sua sanha.
Evoco Ovídio, que disse: "A melhor ajuda para a mente é romper com os grilhões que iludem o coração".
Aguardem, pois está na hora da minha Poesia se tornar libertação.



sábado, 25 de março de 2017

Tá triste?

Hoje não ia escrever. Estava desanimado demais para isso. Foi então que li a frase de Chaplin: "Eu gosto de andar na chuva, porque ninguém pode ver minhas lágrimas."
Não tem como não escrever depois de ler um diamante tão aquilatado quanto este.
A gente acha que a vida é eternamente sorriso, que o segredo do sucesso é ser feliz todo o tempo, que a felicidade é o supra sumo das nossas conquistas.
E, de repente, vem a tristeza.
Neste momento, estou triste. De uma tristeza sem tamanho e que dói ainda mais porque eu queria gritar aos quatro cantos os motivos dela e não posso. E por saber que, mesmo se gritasse, isso não mudaria a situação.
Sou poeta, escritor, apresentador de rádio e TV, palestrante, comunicador. Mas fico extenuado porque não quero me permitir ficar triste e, por ficar, acabo ficando frustrado.
Lutamos por nossa liberdade e hoje, vergonhosamente, reconheço que nem eu próprio dou-me o direito de ser livre. Se quero ficar triste, que eu fique, poxa!
E neste mundo encardido, enlameado de "lugar comum", ficamos desejando seguir a moda, o senso comum, o pensamento da massa. E deixamos de ser nós mesmos.
E a tristeza, que para mim já tem peso dez vezes maior, fica ainda mais pesada por eu me cobrar sorrisos.
Tá triste? Fique triste, permita-se.
Não há nada de errado em deixar fluir todos os sentimentos que existem e que fomos feitos para sentir.
Não podemos sentir desejo porque é errado, não podemos ficar tristes porque é ruim, não podemos sentir ansiedade porque é doença, não podemos amar porque é restrito a uma pessoa.
Pare, mundo. Tem um monte de gente querendo descer!
Se você quiser se ganhar, deixe-se livre para sentir. E então vai se tornar senhor de seus sentimentos.
E poderá enfim olhar a lua sem tristeza.

quinta-feira, 23 de março de 2017

Carta a você, que se corta

Você, que se corta, saiba: eu sei o que você sente.
E sentir-se prestes a explodir por carregar o mundo inteiro aceso em seu peito não é a melhor sensação que existe. Livrar-se disso é quase impossível, mas não se pode ficar parado sentindo o peito inchar, e inchar, e inchar, e inchar, e inchar...
Até quando isso vai? Um peito não suporta essa pressão.
Na escola, em casa, em qualquer lugar, nada parece estar normal, nada parece estar acontecendo da maneira que eu gostaria que estivesse. E pode parecer egoísmo, mas não custava as coisas serem um pouquinho diferentes.
Por que todos me odeiam? Por que nada dá certo? Por que tudo está horrivelmente parecendo um mundo cor de rosa se não enxergo cores e tudo parece estar irritantemente ideal? Por que eu não estou me sentindo ideal o suficiente para viver nesse mundo?
Ser tratado como adolescente, imaturo, ter os sentimentos não levados em conta. Tudo isso enche. tudo isso quer explodir.
Tantas pressões, pensamentos no futuro. Que vou ser, quem vou ser, o que vou estudar, com quem vou me casar, será que vou amar, será que um dia alguém vai me amar?
E de repente não dá mais para a gente aguentar. E então aquele canivete, aquela gilete, aquele estilete...
Ahhhhh, que alívio! Como pode ser tão prazeroso um pequeno corte. Enquanto o sangue desce acariciando a pele, através do corte os problemas do mundo esvaem-se, resolvem-se. E tudo fica bem por um momento.
Como é bom sentir-se vivo e sem o aperto insuportável que havia no peito. Renato cantou: "seus tornozelos sangram e a dor é menor do que parece. Quando ela se corta ela se esquece que é impossível ter na vida calma e força".
Ninguém entende o que é tentar ser forte a todo e cada amanhecer.
Mas, acredite: pode ser diferente.

terça-feira, 21 de março de 2017

Vamos "fazer" piada ou "ser" piada?

Em minha cidade, Espírito Santo do Pinhal, iniciei uma carreira na TV local apresentando um programa APTV Esporte. Ao lado do dono do programa, Roberto Duarte, começamos a fazer sucesso ao fazer piada com os jogadores e entrevistados. O humor alavancou o programa por seis anos e ainda o mantém de pé.
Ano passado, reuni com os amigos Paulinho Parolin e Álvaro JP e iniciamos o programa "Café com Risada" na rádio Interativa 106,3 FM. O nosso programa de humor tem atraído a atenção de muita gente e pode ser ouvido nas quintas das onze ao meio-dia e nas sextas das onze à meia-noite pelo radio.net.
O humor é um nicho que tem muito futuro no Brasil e no mundo. Haja vista o sucesso de séries como "The Big Bang Theory", "Two and Half Men" etc.
O humor é salutar, o bom humor é essencial para aguentar as agruras da vida.
Mas aí me recordo de Clarice Lispector dizendo "já contei piadas e mais piadas sem graça, apenas para ver um amigo feliz."
Esta frase mostra que nem todo mundo tem o dom de ser engraçado, mas todos se aventuram a dar seus pitaquinhos no humor. O que seria bom, não fosse pelo que vou comentar a partir de agora.
A Polícia Federal está investigando um caso gravíssimo de carnes sem qualidade, estragadas ou misturadas com substâncias as mais diversas.
Pois bem, entra em cena nossa mania de fazer piada, relevando a gravidade de um assunto de saúde pública que escancara os limites do absurdo.
Vamos raciocinar: quem é lesado numa loja, posta os maiores impropérios nas redes sociais. Quem sofre uma desilusão, uma traição, uma decepção amorosa, posta um milhão de frases de efeito, xingamentos, mas nenhuma piada.
Fazer piada com relação a assuntos sérios dá a entender que não nos preocupamos, é como dizer: "relaxa, não estou tão zangado assim". Talvez fosse de bom tom deixar aos profissionais do humor fazer isso. Nosso papel de cidadãos é cobrar resultados.
E enquanto os brasileiros fazem piada de tudo, não nos damos conta de que nós é que viramos piada de tudo.

sexta-feira, 17 de março de 2017

Nossa mania de querer ser dono

Dizem que a depressão é "o mal do século". Renato Russo em uma de suas canções disse que "o mal do século é a solidão". Eu, de minha parte, estou propenso a acreditar que o grande mal é o desejo de possuir, de ser dono, de ter o controle total e absoluto sobre coisas e pessoas.
A busca desenfreada de ter mais e mais dinheiro é explicada pelo desejo de ter PODER aquisitivo.
Quem corre atrás de status, de engrandecer o nome, de tornar-se famoso é para conseguir PODER social.
E ainda nos relacionamos com pessoas e queremos ter poder sobre elas: impedi-las de sair, de ter vida social, de postar fotos. Queremos saber a par e passo a vida do outro, manipular os caminhos, exigir explicações.
Nunca se falou tanto em liberdade como hoje em dia. E a escravidão parece continuar não só explicita, mas também subliminarmente.
Travo uma luta diária com minha ansiedade. Ela me lacera o peito, eu a mantenho cerrada nele e não dou vazão. Um dos dois há de vencer.
Lembro-me de Oscar Wilde, dizendo que "Egoísmo não é viver à nossa maneira, mas desejar que os outros vivam como nós queremos."
Não é justo, não é certo, não é salutar para ninguém este tipo de exigência.
E em se tratando de liberdade, evoco Fernando Pessoa, que escreveu que "precisar de dominar os outros é precisar dos outros. O chefe é um dependente."
Ser possessivo é pedir para perder. Controlar é quase uma ordem para se afastar. Um ditado popular diz que o canário, ao fugir da gaiola, não fica sequer na vizinhança.
Não tente ser dono de quem nasceu para voar. Você vai sofrer. Vai ter depressão, vai ter solidão - todos os males do século estarão com você!
Deixe livre a quem ama... e cuide. A pessoa volta, com certeza volta.
Ao escrever esse texto lembrei-me de um amigo que cuida de beija-flores. Ele dá água doce para os bichinhos e coloca frutas para outros pássaros. Eu vi os beija-flores tomando água de dentro de sua boca e pousando em seu ombro. E todo o dia os beija-flores o chamam querendo sua atenção. Um exemplo de que ele possui aqueles que são livres, mesmo sem ser dono.

quarta-feira, 15 de março de 2017

Se for para despedir, que seja depois de valer a pena

Oswald de Andrade escreveu que "o Brasil é uma República Federativa cheia de árvores e gente dizendo adeus."
Obviamente, a intenção de Andrade era apontar para o êxodo de pessoas que buscam oportunidades em outros países ou continentes, destacadamente a Europa na época e atualmente nos Estados Unidos.
Mas sempre, desde que li esta frase em um encarte de CD da Legião Urbana, chamou-me a atenção o trecho que fala de gente dizendo adeus.
Minha interpretação, entretanto, é um pouco menos nacionalista: eu enxergo as pessoas que dizem adeus, independente se estão procurando oportunidades em outros lugares ou apenas estão se despedindo para nunca mais serem vistas ou encontradas. Pessoas que dizem adeus mesmo estando próximas umas das outras.
Adeus é uma palavra muito forte. Cessar uma convivência é muito dolorido para certas pessoas e neste rol eu me incluo. "Não olhe pra trás, odeio despedidas. Diga até mais, mesmo se for adeus", cantou Humberto Gessinger na música "Até mais".
O último beijo, o último olhar, o último carinho, o último aperto de mãos... a palavra "último" também é deveras forte. Não gosto de usá-la. A palavra "ultimo" tem um vislumbre de morte dentro do universo gramatical. Ela põe fim em tudo!
Mas enquanto escrevia para o blog, na minha loucura de fazer quatro coisas ao mesmo tempo (escrevia uma matéria para o jornal, escrevia para o blog, conversava com uma amiga e ouvia Arnaldo Jabor no Youtube), eu escutei este trecho de Arnaldo Jabor: "Existe gente que precisa da ausência para querer a presença."
Poxa, meus olhos acabaram de se abrir! Então despedir pode ser necessário. O "adeus" pode ser apenas motivo para um futuro "olá". E a palavra "último" serve apenas de referência, e pode ser atropelada pela composição "de novo".
Se for para despedir, ora! o mundo não é plano e sem retornos. O mundo é redondo, e cheio de reencontros. Se for para despedir, que antes tenha valido a pena, para ter o sabor de querer mais. Porque a eternidade é relativa e não é absoluta, ela pode ser encontrada em um momento que foi muito bem vivido ou podemos passar uma vida inteira sem nunca atingi-la.
Por isso, nossa preocupação deve ser única: fazer valer a pena nossos instantes. Porque assim o adeus pode não ser eterno.


segunda-feira, 13 de março de 2017

Faça Poesia de verdade!

O cantor e compositor Nando Reis está com uma nova música de trabalho, chamada "Eu só posso dizer". Nesta canção, há um trecho assim: "Preferem os cactos/ Que a solidão da noite assista a flor/ Quando se abre."
Não consigo ler ou ouvir este trecho sem imaginar o cacto florindo sob a luz imaculada do luar. E junto com essa imagem, amante da Lua que sou, vem uma enxurrada de sentimentos. Isso é Poesia e era justamente isso que todos nós deveríamos aprender no nosso dia-a-dia.
Estamos vivendo maquinalmente e nos deixamos massificar nas nossas atitudes. A moda nos influencia, seguimos as tendências, imitamos os astros, copiamos tudo, somos todos iguais.
E a Poesia é ser diferente, é fazer a diferença, é despertar nos outros (e em nós mesmos) sentimentos novos, esquecidos, deixados para trás.
Poesia é reviver e reinventar. É motivar e despertar. É colocar cor no cinza.
É ser como Manuel Bandeira:

"E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada."

Ou então ser como Mário Quintana:

"Se as coisas são inatingíveis... ora!
Não é motivo para não querê-las...
Que tristes os caminhos, se não fora
A presença distante das estrelas!"

Ou ser Humberto Gessinger:

"Não procure paz onde paz não há, não procure alguém onde não há ninguém, não procure o céu azul no mar vermelho, não procure outras pessoas no espelho."

Seja sempre você, não se deixe massificar.
Vamos fazer o mundo um lugar melhor, essa é nossa grande e única missão!