terça-feira, 30 de agosto de 2016

A Droga da Obediência

O título deste artigo é o mesmo do famoso livro de Pedro Bandeira. Inclusive li-o na adolescência e tinha uma ideia diferente do que seria o enredo e fiquei surpreso com o desfecho.
Não vou estragar a surpresa para quem for lê-lo, mas havia um remédio que transformava quem a tomava em um zumbi - não tão nojento quanto os dos seriados e filmes atuais - mas tirava a vontade própria da pessoa, tornava-a obediente.
E foi pensando nisso que tive um insight, uma ideia sobre os jovens buscarem refúgio nas drogas.
É justamente a desobediência! Isso, o contrário do livro.
Os pais, os professores, os adultos em geral falam para o jovem não usar drogas. Os comerciais e merchans da vida são imperativos e taxativos: não use drogas!
E o que eu faço quando quero mostrar que quem manda em mim sou eu? Exato: desobedeço!
Quando eu era jovenzinho, namorei uma menina escondido dos pais dela por um ano. Ela parecia apaixonada por mim. Quando o pai deixou, ela largou de mim. Namorávamos apenas porque era proibido.
Proibido é mais gostoso, dizem, e o sabor açucarado é justamente provar que EU decido minha vida.
E o jovem, que ainda não está totalmente pronto para decidir sobre sua vida, encontra um amigo ou um cara boa pinta, que tem algo que dá um barato, uma alegria um negócio tal... e ele acaba dando "um tapa no beque", "queimando uma pedra", ou algo que pode levá-lo para um rumo muito ruim.
Depois é vício, depois ele não tem mais culpa. A culpa foi só entrar. E sofrem ele, família, amigos, como todos sabem.
Então talvez não seja a melhor tática impor o não uso da droga. O melhor é convencer do mal que ela faz.
Gasolina é uma droga, e ninguém bebe, porque sabe que mata (salvo casos de abstinência).
O Autor de Robson Crusoe, Daniel Defoe, escreveu:
"O medo do perigo é mil vezes pior do que o perigo real".


domingo, 28 de agosto de 2016

Bullying para ser grande?

"Fortes razões geram fortes ações", escreveu William Shakespeare.
E eu fiquei um bom tempo me perguntando quais são as razões de alguém praticar bullying.
Claro que este assunto é motivo de profundos estudos de psicólogos, pedagogos, psiquiatras e não seria eu, um mero comunicador, que iria desvendar esses mistérios.
Mas como comunicador, posso dar minha versão...
E concluí que várias razões podem influenciar à prática do bullying. A primeira delas, e talvez a principal, é a sensação de superioridade que o agente tem sobre seu alvo. Ao cometer essa prática, ele se sente poderoso, o maioral, o ditador, o popular.
E falando em ser popular, uma segunda causa dessa prática seria o modismo. O agente principal, o mais forte, pratica o bullying. Consequentemente, os admiradores, os "jovens-satélites" imitam a prática para serem populares com o chefe, para ficarem bem com o mandão. Tem aí um pouco de medo, afinal quem não entra na onda do manda-chuva pode consequentemente tornar-se vítima também.
Por fim, considero que frustrações domiciliares, agressões em casa de origem parental ou mesmo de vizinhos mais fortes criam um desejo de vingança. Já que não podem vingar-se em alguém mais forte, desforram no mais fraco.
Mas de tudo isso, o que sempre imaginei é o quanto o bullying torna mais fraco quem o pratica.
Porque é uma prática covarde. Pensando assim, o Nazismo foi o maior e mais cruel exemplo de bullying. Achar que se purificaria a raça extinguindo as outras inferiores: pura ignorância.
Acredito, por fim, que o que nos torna fortes é o uso do poder em prol dos outros. O que nos torna grandes é defender o mais fraco, é carregar a sacola pesada para a vozinha, é abrir o pote de doce de leite que está com a tampa emperrada. É dizer: "fulano é meu amigo. Mexeu com ele, mexeu comigo".
Compartilho, em conclusão, da ideia de Shakespeare que também escreveu:
"Ser grande é abraçar uma grande causa".


Novidade: Canal Só Entre Nós

Aceitei a sugestão/desafio de algumas pessoas que curtem meu blog.
Agora você também pode me assistir através do canal Só Entre Nós, do YouTube.
Toda semana, um assunto novo será colocado em pauta.
Visite, inscreva-se para receber as atualizações e dê um gostei!
Para visitar meu canal, basta entrar no link abaixo:




sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Faça por merecer

"Faça por merecer", disse o Capitão interpretado por Tom Hanks ao soldado Ryan, no filme "O Resgate do Soldado Ryan".
Como fazemos por merecer? Estarmos vivos é uma sucessão de benfeitorias e de atos de amor para com nossa pessoa, como compensar e merecer isso?
Será que uma foto em preto e branco minha no facebook me ajuda a fazer por merecer?
Será que ser uma boa pessoa, ajudar os outros, fazer obras de caridade, credenciam-me a ser merecedor?
Será que não fazer o mal é fazer por merecer?
O mundo será mundo, sempre será, independente do que eu venha a fazer ou deixar de fazer.
Tem a história do beija-flor, que era o único carregando água em seu biquinho para apagar um monstruoso incêndio na floresta. "Estou fazendo minha parte", disse ele ao elefante.
Mas enfim, sabem o final da história? Talvez o beija-flor tenha morrido queimado e a floresta consumida inteira.
Quem tinha que apagar o fogo era o elefante, o hipopótamo, os bombeiros.
Pareço cáustico em meu texto hoje, mas deixe-me concluir:
Cada um tem um dom, cada pessoa faz maravilhosa e incomparavelmente bem uma determinada tarefa.
Descubra a sua. Não seja um médico frustrado se pode ser um cantor feliz, mas também não seja um ator de segunda categoria se poderia ser um engenheiro dos bons.
Descubra seu dom. E faça-o.
Cada pessoa que faz o seu melhor naquilo que tem o dom de fazer, está fazendo por merecer.
É de Beto Guedes e Ronaldo Bastos a letra da música "Amor de Índio" que, na voz de Milton Nascimento soa assim: "Abelha fazendo mel vale o tempo que não voou".


quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Quando é preciso dor para amenizar a dor

Da mesma teoria de que "somente um amor para esquecer de outro amor", há jovens que acreditam piamente que "dor com dor se cura". Trágico, mas exatamente assim é como acontece.
Por diversos motivos, o adolescente tem em seu íntimo a tempestade das mudanças, os problemas de relacionamento, a busca por seu lugar, o conflito consigo mesmo para tentar entender quem ele é, do que gosta e que rumo deseja tomar (lembrando que parado também é um rumo), a solidão.
E isso dói. Senhores pais e adultos, se não doía no seu tempo, paciência... hoje dói e muito.
Essa dor interna é tão forte no peito (claro, na mente, mas parece ser no peito) do adolescente, que na busca ensandecida de encontrar alívio... ele se corta.
Longe de tentar se matar, a automutilação é uma tentativa desesperada de encontrar alento. E realmente a dor física parece amainar a dor emocional.
Isso não é moda, tampouco loucura. É realidade e um problema que preocupa educadores e profissionais.
Uma dica aos mais antigos: entender o adolescente é o primeiro passo para tê-lo ao seu lado e cuidar dele.
Uma dica aos adolescentes: há uma outra forma de aliviar essa dor em seu peito, sem necessariamente causar-lhe dano.
Do poeta Renato Russo, em sua canção Clarisse:
"Ninguém me entende, não me olhe assim com esse semblante de bom samaritano cumprindo seu dever. Como se eu fosse doente, como se toda essa dor fosse indiferente ou inexistente".


quarta-feira, 24 de agosto de 2016

O poema que venceu

Atendendo a alguns pedidos, segue o poema com o qual eu consegui o segundo lugar no Concurso de Poesia da Academia de Letras de São João da Boa Vista:

Marinheiro solitário

No mar, onde agora negra faz-se a noite,
Um barco corta as águas, veloz a navegar.
Na proa um vulto, negro como a noite, está
Sozinho. É um marinheiro a meditar.

Desequilíbrio: a contramão de nossa criação

Não tenho dúvida de que a vida exige equilíbrio. A mediação entre razão e emoção é fundamental para conseguirmos alcançar nossas realizações.
Na própria natureza de nossa criação encontramos o equilíbrio entre razão e emoção. Senão, vejamos:
Observemos o ser humano de um aspecto racional - uma máquina orgânica que precisa ser alimentada e, assim, mantém-se funcional.
Desse ponto de vista, bastaria então que fosse criada uma pasta insossa combinada de proteínas, carboidratos e sais minerais para que nos alimentássemos e pronto.
Mas nossa criação tem um aspecto emocional: podemos comer uma variedade infinita de alimentos, com os mais diversos sabores e texturas. E isso nos dá prazer, além de nos alimentar.
Da mesma forma, racionalmente olhando para nossa visão, bastaria que enxergássemos em preto e branco. Isso talvez até nos ajudaria a enxergar melhor, sem sermos enganados por mimetismos e camuflagens. Mas no aspecto emocional, enxergamos milhões de cores e tonalidades. Podemos ver arco-íris, pássaros, flores, escolher uma gravata que combine com a camisa.
A vida equilibra o racional e o emocional: nos sons, nas cores, nos sabores, nos sentimentos, nos pensamentos. E este equilíbrio culmina em sermos felizes.
Porque sem dúvida alguma uma vida em preto e branco, comendo apenas uma papa insossa não iria nos arrancar sorrisos.
Assim sendo, se nossa própria criação apresenta o equilíbrio entre razão e emoção, por que insistimos em manter nossa vida em desequilíbrio, numa tentativa fútil de sermos felizes?
Concordo com Quintana quando disse:
"Todos estes que aí estão
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão.
Eu passarinho!"


terça-feira, 23 de agosto de 2016

Nosso poder de ser ou de não ser

Um dos quadros que me chama muito a atenção e que acho deveras lindo é justamente um quadro que tempos atrás eu achava horrível: Guernica, de Pablo Picasso.
Um quadro em preto e branco, com desenhos cubistas, disformes e de difícil interpretação.
Picasso foi um gênio. Seu quadro foi um protesto contra as guerras, em especial contra a ditadura do general Franco, que havia ordenado a destruição do vilarejo chamado Guernica.
Mas o ponto que destaco é que meu pensamento mudou quando passei a enxergar o quadro de forma diferente, entendendo seu real sentido e dando-lhe seu real valor.
No relacionamento humano, quantas vezes deixamos a primeira impressão nos afastar das pessoas, afastar-nos de um possível verdadeiro amor, de um possível grande amigo. A primeira impressão, que dizem ser a que fica, é na verdade a que prejudica.
Conhecer uma pessoa demanda tempo e interesse. E o mundo precisa que tenhamos essa dedicação.
Do contrário, abrimos espaço para o preconceito, que chega de mãos dadas com a primeira impressão.
Quando o personagem Hamlet, de Shakespeare, proferiu a famosa frase: "ser ou não ser, eis a questão" ele estava apontando uma verdade profunda: temos em nossas mãos o controle para sermos ou deixarmos de ser aquilo que quisermos.
Mas nos esquecemos disso, não buscamos nossa transformação, não investimos no conhecimento intrapessoal, e nem no interpessoal.
Deixamos escapar as belezas da relação humana por entre os dedos, e passamos a deixar de ser o que mais queríamos ser: felizes.
E enquanto agirmos assim, Guernica nunca vai deixar de ser um enigma e nosso íntimo vai ser uma eterna guerra civil.


segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Paixonite, amor e a churrasqueira

Ligo o rádio e ouço Renato Russo cantando:
"se a paixão fosse realmente um bálsamo, o mundo não pareceria tão equivocado. Te dou carinho, respeito e um afago, mas entenda, eu não estou apaixonado".
Essa canção, chamada "Longe do Meu Lado", mostra uma realidade frequente entre jovens e menos frequente mas ainda assim presente entre adultos: a paixonite.
Infelizmente, temos a tendência de achar que paixão e amor são irmãos gêmeos (e podem até ser, posto que os gêmeos são tão diferentes!).
Mas a paixão tem seu foco em intensidade enquanto o amor enfoca a durabilidade.
Eu costumava ilustrar mais ou menos assim: ao acender uma churrasqueira, embebemos os carvões em álcool e jogamos o fósforo aceso. A labareda que se levanta é colossal. Enquanto há álcool, as chamas continuam viçosas, enormes.
Contudo, a churrasqueira ainda não está pronta. E colocar carne ou pãozinho de alho numa churrasqueira cheia de chamas seria desperdiçar comida, pois iria queimar.
Mas quando o carvão se torna brasa... ah... aí a churrasqueira está pronta. Pois o calor vai durar até que se consuma todo o carvão.
A paixão é um fogo que nos chama a atenção, que é necessária mas que consome de tal forma as coisas que se colocarmos nossa vida nela, iremos nos queimar. A pessoa apaixonada abandona emprego, faz loucuras, comete gastos, rompe laços, por conta de um sentimento forte e avassalador, mas que tem curto período de existência (somente enquanto o encanto o mantiver aceso).
Passado isso, se não se formarem brasas no peito, se não houver o amor, a pessoa vai sofrer: remorso, culpa, arrependimento, vergonha. Por ter tomado atitudes que antes, em sã consciência, não teria tomado.
E o amor é eterno, é brasa que consome inteiro.
Portanto, cuidado ao tomar decisões movidas a paixão. Somente o amor é eterno. A paixão é fugaz.
Por isso, Camões nos deixa seu sermão:
"Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói, e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer."



quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Eu não pedi pra nascer

É de uma canção de Lulu Santos a frase: "eu não pedi pra nascer. Eu não nasci pra perder".
Uma frase motivacional, sem dúvida.
Mas a triste realidade é que a primeira parte da frase é frequentemente utilizada por jovens que, durante um período de rebeldia, enfrentam os pais e insistem em ressaltar que a escolha pelo seu nascimento foi dos genitores e que, por isso, devem aguentá-los.
Pior ainda é que há pessoas em estado agravado de depressão que justificam tirar a vida por que não foi escolha deles estar vivos.
Na realidade, tenho um pensamento diferente disso. A vida não nos pertence plenamente, justamente porque não pedimos para nascer. Portanto, assim como viver não dependeu de nossa escolha, deixar de viver também deve não depender de nossa escolha.
A vida nos foi emprestada. De alguma forma estamos aqui (eu pessoalmente acredito que criados).
Cabe a nós cuidar desse empréstimo que para alguns é um dom, para outros é um fardo, para aqueles um carma, ainda para outros uma dádiva.
Seja o que for, não nos pertence plenamente. Está em consignação. Devemos então cuidar.
Não pedi pra nascer, também não tenho o direito de insistir em morrer.
Já que é assim... vamos procurar o lado bom, a beleza da vida.
Como disse Charles Chaplin:
"A beleza é a única coisa preciosa na vida. É difícil encontrá-la - mas quem consegue descobre tudo".


segunda-feira, 15 de agosto de 2016

A depressão foi minha amiga

Como assim? Como pode a depressão ser amiga? O que se pode esperar de bom de um mal como esse?
Calma, eu fui prático.
A depressão prestou-me uma ajuda inusitada, mas somente porque consegui enganar tanto a ela quanto a mim mesmo.
Estranho não é? Mas explicando fica mais fácil entender.
Como usualmente acontece com pessoas deprimidas, eu me odiava. Odiava meu corpo de 108 kg, minha papada enorme. Odiava ter que comprar as roupas que estavam disponíveis para meu tamanho e não aquelas que eu realmente queria (pois não cabia nelas).
E por causa desse ódio contra minha pessoa, eu queria judiar de mim.
Pois bem, eu resolvi então me maltratar na academia Sport Life de meu amigo Ricardo Brigagão.
Fui fazer spinning, um exercício aeróbico realizado em bicicleta ergométrica que queima de 600 a 800 calorias em 40 minutos.
E quanto mais eu cansava, mais eu pedalava, mais eu judiava de mim, mais eu extravasava o ódio por minha pessoa.
Mas quando subia na balança... um quilo se fora. E menos um quilo, menos um quilo, menos um quilo... até que emagreci 21 quilos em poucos meses.
Comecei a ficar feliz comigo, porque ao pesar 87 quilos eu comecei a caber nas roupas que queria comprar. Comecei a caber e passar por lugares onde antes eu enroscava.
O exercício libera endorfina e adrenalina, o que dá sensação de alívio e prazer.
Minha depressão diminuiu e meu ódio por mim se transformou em carinho e cuidado. Comecei a me exercitar para me castigar e agora faço para cuidar de mim.
Pois é... acho que interpretei corretamente o que Fernando Pessoa escreveu:
"O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente."


domingo, 14 de agosto de 2016

O único rumo para quem está no fundo do poço

Na canção "A Via Láctea", do grupo Legião Urbana, o poeta Renato Russo cantou assim: "eu não sei por que me sinto assim. Vem, de repente, um anjo triste perto de mim".
Achei esta uma bela descrição da depressão. Renato tinha e muitas pessoas se veem às voltas com este mal que chega sorrateiramente, como um anjo triste, e fica indo e voltando.
Mas uma frase interessante que costumo usar é que "quando estamos no fundo do poço, o único rumo que nos resta é para cima".
E não é? Para baixo não é possível, posto que já é o fundo. Para os lados ou para a frente também é difícil, pois o poço é estreito e sem opções. Então, o que há de opção é olhar para cima e subir de alguma forma.
A depressão é debilitante, deixa-nos inertes, sem expectativas, sem alvos, sem norte.
Realmente, a depressão é o fundo do poço.
Na mesma música, Renato cantou que "quando chegar a noite, cada estrela parecerá uma lágrima". E quantas são as lágrimas que derrama alguém deprimido (pior ainda quando a pessoa não consegue chorar).
Mas pense nisso, há um rumo. E o único rumo é para cima.
Encare tudo o que acontece de ruim não como castigo divino, pois definitivamente não é!
Chame de "oportunidade".
E nos momentos de tristeza, de entrega, quando seu único refúgio é na cama... tente encontrar algo de que você realmente goste e é capaz de fazer bem.
Acredite em mim: existe, e você consegue consegue encontrar.
Depois disso, é preciso a entrega. Substitua a entrega para a depressão pela entrega por um sonho.
Subir... eis o único destino de quem está no fundo. É possível.


sábado, 13 de agosto de 2016

Não deixe ninguém escrever seu poema por você!

Quando nascemos, nossa vida era semelhante a uma folha de sulfite: totalmente branca, sem marcas, sem manchas, sem pautas, sem regras.
Um bebê não segue regras. Se está com fome, frio, dor, medo... ele chora.
Se está quentinho, alimentado, protegido, acarinhado... ele sorri.
Se quer algo, faz birra. Quando consegue, ele silencia. Se tem sono, dorme. Se não tem, acorda.
Aí os anos vêm chegando, e a pessoa passa a ter uma vida com padrões, regras, ordens. Nem tudo o que ele deseja, é possível ou permitido.
E então nossa vida torna-se uma folha de caderno pautada. As pautas e margens são as regras e os padrões a nós impostos. Não escreva fora da linha, não ultrapasse a margem...
Mas como é medíocre a vida semelhante a uma folha de caderno em branco!
A vida está ali, pedindo para ser preenchida, para ser escrita da melhor maneira possível.
E você é o poeta de sua vida!
Não deixe ninguém escrever o poema maravilhoso de sua vida em seu lugar!
Não permita que alguém dite o que escrever!
Permita-se!
A vida é sua! A folha em branco deve ser completada por você e só por você!
E escreva aquilo que você deseja, mesmo que pareça difícil ou impossível.
É de Drummond a ideia:
"Se as coisas são inatingíveis... ora!
Não é motivo para não querê-las...
Que tristes os caminhos, se não fora
A presença distante das estrelas!"



sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Emoção - uma exclusividade humana

Sempre defendi a ideia de que poeta não é aquele que escreve, mas aquele que lê e diz: "que bonito!" ou então "que porcaria!".
Entendo que um de nossos inestimáveis dons é sermos dotados de emoção.
Racionalmente, as sensações que temos são movidas por humores, isto é, hormônios, enzimas, e substâncias que fazem-nos sentir o frio na barriga, as mãos suarem, tremermos e coisas assim.
Mas acho triste esta visão racional de que nossos sentimentos são movidos por reações químicas. Prefiro pensar em algo mais profundo e poético: mesmo que sejam as tais reações químicas, as emoções são a força que motiva essas reações.
Como podem reações químicas realizarem a façanha cantada por Camões:

"Transforma-se o amador na cousa amada,
por virtude do muito imaginar;
não tenho, logo, mais que desejar,
pois em mim tenho a parte desejada."

E nosso dom ainda se estende a podermos encher de emoção a coisas inanimadas. O poema, a meu ver, é uma lâmpada, Mas cada ser humano é um bocal, nós fazemos o poema acender.
Mario Quintana escreveu que “quando alguém pergunta a um autor o que este quis dizer, é porque um dos dois é burro”.
Eu concordo com essa frase, pois quem não é capaz de sentir (seja gosto ou desgosto, amor ou ódio) é burro, no sentido escrachado do termo.
Portanto, sinta!
Encha de emoção as coisas à sua volta!
Seja um transformador do ambiente ao seu redor!
Esse é seu dom! E isso vai fazê-lo feliz. Experimente.


Nem todo padrão é bom

 Colocar rótulos e criar padrões. Parece ser esta a função primordial da sociedade de hoje.
A sociedade tende a criar padrões para tudo, sempre ditando o que é certo e o que é errado. E o pior é constatar que as pessoas, muitas vezes por se entregarem ao modismo e ditames da maioria, aceita calada aquilo que lhe é imposto.
A sociedade dita padrões de beleza: e me diz que peso tenho que ter, que altura seria a melhor, que cabelo devo ter, qual roupa posso usar, qual a tendência correta, a cor do olho mais querida, o modo de conversar, como se sentar, como olhar.
A sociedade dita padrões de inteligência: e exige de mim o diploma, diz qual o curso dos mais capacitados, diz qual a faculdade dos mais preparados, não se contenta com graduação e pede mestrado, doutorado, não se importa com a vivência prática desde que haja o preparo técnico.
E a sociedade cria padrões de preconceito: de raça, de opiniões, de religiões, de gêneros.
Penso no médico da vizinha Serra Negra, que riu-se nas redes sociais do paciente que dizia estar com “peleumonia” e tirou um “raô-x”. Parabenizo ao hospital que demitiu o profissional que deveria cuidar de doentes, mas expôs crassamente uma doença social ao zombar de alguém com menos escolaridade, mas que pelo fato de estar ali se consultando, permitia a este receber seu salário.
Penso, por fim, no exemplo de Fernando Pessoa, ao escrever o poema “Padrão”:
O esforço é grande e o homem é pequeno.
Eu, Diogo Cão, navegador, deixei
Este padrão ao pé do areal moreno
E para diante naveguei”.



quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Agradecimento - Gênesis

Gostaria imensamente de agradecer à direção do C.E. Gênesis, que abriu as portas para que eu fizesse a explanação de minha palestra: “Razão e Emoção: a Poesia promovendo o Equilíbrio da Vida”, na quarta-feira, 3 de agosto ao corpo docente.
Muito obrigado pela confiança e pelo convite para que seja feita uma nova palestra agora para os alunos. Aguardo ansioso o mês de setembro!

Estrutura da palestra

A palestra é voltada a diferentes públicos alvos e sofre nuances de acordo com a assistência. A duração varia de 45 minutos a uma hora.
Basicamente, as ideias são apresentadas permeadas com declamações de trechos de poemas e informações históricas de poetas e escritores.
Ao público adulto, os temas abordados envolvem a quebra de padrões, preconceitos, incentivo à mudança e implantação de que a Poesia não é exclusiva a um determinado grupo, mas a todos os que se propõem a mudar ou melhorar de vida.
Ao público jovem, a abordagem segue a ideia de que suas atitudades são compreensíveis, mas que algumas delas podem trazer resultados insatisfatórios. A palestra objetiva diagnosticar situações comuns aos jovens para que pais e educadores possam agir a fim de coibir ou tratar tais problemas. Temas como bullying, depressão, automutilação, relacionamento conturbado com adultos são abordados de forma branda, mas incisiva.
Assim, a palestra “Razão e Emoção: a Poesia promovendo o Equilíbrio da Vida” mostra-se fundamental para a implementação de mudanças positivas dentro do ambiente escolar ou laboral, incentivando o público a buscar melhorias, mostrando que não é difícil iniciar a promoção humana e social através da Poesia. Inclusive, apresenta a Poesia como algo acessível.

Palestra: “Razão e Emoção: a Poesia promovendo o Equilíbrio da Vida”

Prospecto

A sociedade está passando por uma drástica mudança.
O machismo começa a perder forças e a ideia de que relação entre homem/razão e mulher/emoção vem se tornando ultrapassada.
Os tempos de puro racionalismo já estão obsoletos e torna-se urgente a busca pelo equilíbrio entre razão e emoção.
Para que seja feita a inserção de sentimentos dentro do raciocínio lógico e da vivência racional surge a Poesia como agente fundamental para a conquista do equilíbrio.
A palestra “Razão e Emoção: a Poesia promovendo o Equilíbrio da Vida” aponta para meios de se viver olhando com a razão e guiando-se pela emoção.
Ela desperta para a necessidade de se manter a razão, uma vez que esta nos serve de proteção, mas de se inserir a emoção, que é fundamental para a nossa preservação.

* uma empresa puramente racional entende que substituir sua mão-de-obra por maquinário irá reduzir em muito os custos. Bastam poucos operários para a manutenção e a produtividade irá aumentar. Já uma empresa emocional atenta-se para o fato de que há famílias envolvidas, há seres humanos buscando sustento. Talvez uma pequena perda em produtividade seja justificada pela manutenção do caráter humano dos funcionários.

* um professor racional cobre conteúdo e exige resultados, deixando de lado os aspectos familiar e social que influenciam a vida do aluno. Do ponto de vista emocional, o aprendizado prepara o aluno para enfrentar os obstáculos inerentes de seu dia a dia.

* um aluno pratica bullying pois racionalmente esta atitude garante sua superioridade e o promove como pessoa, garantindo seu status. Com um olhar emocional, é possível descobrir que ele se promove muito mais quando passa a proteger e ajudar os colegas com dificuldades físicas ou intelectuais.

Este sou eu


Paulo César Chiorato, 40 anos, funcionário público municipal, apresentador e repórter do programa APTV Esporte. Nascido na Lapa, em São Paulo, aos 10 anos mudei-me para Espírito Santo do Pinhal, terra natal de minha mãe.
Em meu currículo, contam 20 anos trabalhando com comunicação social e de massa. Passei pelos jornais A Cidade, Andradas Hoje, O Jornal de Pinhal e Pinhal News.
Fui repórter do Telejornal Integração e atualmente trabalho no APTV Esporte.
Possuo o site Esporte Pinhal.
Sou funcionário de carreira da Prefeitura de Espírito Santo do Pinhal há 12 anos, dos quais 10 anos venho trabalhando na Assessoria de Imprensa do município.
Tenho poema publicado na antologia poética “Encontro dos Poetas Pinhalenses” e obtive segundo lugar no concurso de Poesia da Academia Sanjoanense de Letras em 2016.
Estou concluindo um romance de ficção com data prevista de lançamento para 2017.