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terça-feira, 15 de novembro de 2016

Em que me tornei?

Desde nosso nascimento, passamos cada segundo de nossa vida aprendendo algo, quer seja voluntariamente ou até mesmo sem perceber.
Aprendemos a evitar aquilo que nos provoca dor ou desconforto, descobrimos que há sabores, ações, canções, palavras que nos causam prazer e a esses procuramos.
E conforme crescemos vamos aprendendo cada vez mais, e de uma forma gradativamente mais apurada.
Antigamente, as meninas brincavam de bonecas para incutirem na mente de uma maneira lúdica a maternidade. Os meninos brincavam com soldados, cavaleiros, brincavam de trabalhadores ou jogavam bola, para desde pequenos terem noção do universo masculino.
Hoje a sociedade incute valores diferentes daqueles de antigamente. Crianças com seus celulares em uma idade cada vez mais tenra preferem se comunicar, mandar fotos, produzirem-se, viver uma vida mais adulta mais e mais cedo.
As novelas servem de via para colocar as ideias que a sociedade julga ser o senso comum. Relações conturbadas, interações sensuais, o respeito cada vez menor às autoridades.
Mesmo com 40 anos não consegui assistir com certo constrangimento e tristeza a luta voraz entre o Homem de Ferro e o Capitão América - dois heróis que fizeram parte de minha infância e que eu queria ser quando crescesse. E o Super Homem lutando contra o Batman?
Aí surgem os vilões montando um Esquadrão Suicida. Valores totalmente alterados em uma sociedade que está tentando reinventar, redescobrir e reinserir pensamentos nas pessoas.
E vemos no Facebook postagens com xingamentos à polícia ao passo que defendem o outro lado. Cheguei a ver consternado uma postagem comemorando a morte de um PM.
Vejo gente xingando o governo que diz ser corrupto, vejo gente defendendo o mesmo governo. Vejo um dos países mais poderosos e cultos elegerem o improvável.
E eu, fazendo parte de tudo isso, com essa chuva de ideias e conceitos novos, pergunto-me: em que me tornei? Sou ainda o mesmo de outrora ou estou me deixando pouco a pouco influenciar pelos conceitos com que me bombardeiam?
É nessa luta que fico pensando nas palavras de Oscar Wilde: "Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe".


quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Aceite-me, por favor!!!

Tem vezes que erramos por detalhes. Um foco errado e colocamos todas nossas ações a perder.
O ser humano age para ser aceito, ele principalmente anseia por estar na moda porque teme errar diante da maioria... e estar na moda, em tese, é estar com a maioria.
Não seja um títere para agradar outros.
Mas ao mesmo tempo que os seres humanos são muito semelhantes em sua constituição, eles ao mesmo tempo são muito diferentes em sua formação, em suas concepções e conceitos. Então forçosamente há de acontecer algumas mudanças para surgir a harmonia.
Vamos destrinchar estas ideias.
Em primeiro lugar, não se deve achar que o mundo ao seu redor deve mudar para sua conveniência. Não tente mudar seus filhos, seu cônjuge, seus empregados ou colegas de emprego, tampouco tente mudar seus amigos. Não tente mudar os outros, porque o mundo é alheio a suas ações, você não consegue mudar o mundo atuando diretamente nele. Ninguém vai gostar de funk ou do Safadão só porque você tem mau gosto.
Quem deve mudar então é você. Mas aí se esconde o erro que mencionei no início do artigo: você quer mudar por quem? Pelos outros? Está errado!
Mudar somente para ser aceito, seguir uma tendência ou moda apenas para sentir-se querido pelas pessoas é o maior atentado contra sua própria pessoa. Você tem personalidade ou é um títere, com as cordinhas amarradas em seus braços e guiados por algum manipulador?
Se tiver de mudar, a única pessoa que merece sua mudança é você mesmo.
Não erre tentando agradar os outros. Conheço uma moça que posta, ouve, veste, usa, tatua, fala em gírias não porque são traços de sua personalidade. Vejo nela uma marionete guiada pelas amizades e pela sociedade. Ela deveria vir com um rótulo escrito "artificial".
E não sou eu que invento isso, o escritor Edgar Allan Poe foi quem escreveu que "é de se apostar que toda ideia pública, toda convenção aceita seja uma tolice, pois se tornou conveniente à maioria"
Fuja da moda, use-a quando lhe agradar e não para agradar. E depois que fizer as mudanças, reveja as pessoas ao seu redor, esse é o segredo. Não procure apenas quem você gosta, mas procure quem goste de você.
Aplique, como eu apliquei, a frase do grandioso cineasta Federico Fellini: "Aceita-me tal como eu sou. Só então poderemos descobrir-nos um ao outro".