Odeio o racismo. Acho-o chulo e incompreensível.
Não consigo compreender como traços físicos e cor de pele servem de indicativos de capacidade, caráter e inteligência.
Estava assistindo a uma retrospectiva em um canal de TV aberta e vi uma matéria sobre declarações racistas contra a filha adotiva do ator Bruno Gagliasso, Titi, de apenas dois anos. A menina é negra e recebeu insultos pesados no Facebook.
O ator prestou queixa à polícia sobre racismo. E os policiais encontraram a autora das ofensas. Pasmem: era uma menina de 14 anos, que mora em uma comunidade de baixa renda e que é negra.
Segundo apurei, a mesma menina foi autora de ofensas racistas contra a cantora Gaby Amarantos.
Talvez eu odeie mais a educação capenga do Brasil que não se presta a criar valores coerentes em crianças.
Não consigo entender esse ato: a adolescente se odeia tanto a ponto de ofender personagens midiáticos que sejam de sua cor? Segundo noticiários, essa menina não demonstrou arrependimento por ter agido desta forma.
Em que sociedade de direito podemos viver, se não temos noção de direito, ou seja, acreditamos que nosso direito é soberano e vai acima dos direitos de outrem?
Que sociedade tosca é esta, em que odiamos nosso semelhante, mesmo sem conhecê-lo, simplesmente por refletir nele as frustrações a que somos expostos e sofremos?
Este lado obtuso de nossa sociedade, essa realidade vergonhosa deveria ser mudada e é por isso que cabe a cada um de nós fazer o mundo ser um lugar melhor.
Calar-se diante dessas situações é aceitar o erro. Não vamos ficar quietos diante do racismo e do preconceito. E ainda defendo a educação de qualidade como a arma que vai extinguir esse cancro.
Mas não me refiro a educação de colégios pagos, porque estudantes desses colégios também incendeiam índios ou se acham superiores.
A educação deve ser profunda. Formar poetas, leitores de sentimentos, agentes modificadores da sociedade que fomentem valores adequados e bem distintos daqueles da época da vovó que dizia que "passou das seis horas já é noite".
Bem disse Voltaire: "Os preconceitos são a razão dos imbecis".
Blog com textos voltados para o cotidiano e as sensações próprias do ser humano em seu dia-a-dia. Paulo César Chiorato realiza palestras motivacionais voltadas a escolas, empresas, Ong's e entidades. Uma visão diferenciada para todos os colaboradores.
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quarta-feira, 28 de dezembro de 2016
terça-feira, 15 de novembro de 2016
Em que me tornei?
Desde nosso nascimento, passamos cada segundo de nossa vida aprendendo algo, quer seja voluntariamente ou até mesmo sem perceber.
Aprendemos a evitar aquilo que nos provoca dor ou desconforto, descobrimos que há sabores, ações, canções, palavras que nos causam prazer e a esses procuramos.
E conforme crescemos vamos aprendendo cada vez mais, e de uma forma gradativamente mais apurada.
Antigamente, as meninas brincavam de bonecas para incutirem na mente de uma maneira lúdica a maternidade. Os meninos brincavam com soldados, cavaleiros, brincavam de trabalhadores ou jogavam bola, para desde pequenos terem noção do universo masculino.
Hoje a sociedade incute valores diferentes daqueles de antigamente. Crianças com seus celulares em uma idade cada vez mais tenra preferem se comunicar, mandar fotos, produzirem-se, viver uma vida mais adulta mais e mais cedo.
As novelas servem de via para colocar as ideias que a sociedade julga ser o senso comum. Relações conturbadas, interações sensuais, o respeito cada vez menor às autoridades.
Mesmo com 40 anos não consegui assistir com certo constrangimento e tristeza a luta voraz entre o Homem de Ferro e o Capitão América - dois heróis que fizeram parte de minha infância e que eu queria ser quando crescesse. E o Super Homem lutando contra o Batman?
Aí surgem os vilões montando um Esquadrão Suicida. Valores totalmente alterados em uma sociedade que está tentando reinventar, redescobrir e reinserir pensamentos nas pessoas.
E vemos no Facebook postagens com xingamentos à polícia ao passo que defendem o outro lado. Cheguei a ver consternado uma postagem comemorando a morte de um PM.
Vejo gente xingando o governo que diz ser corrupto, vejo gente defendendo o mesmo governo. Vejo um dos países mais poderosos e cultos elegerem o improvável.
E eu, fazendo parte de tudo isso, com essa chuva de ideias e conceitos novos, pergunto-me: em que me tornei? Sou ainda o mesmo de outrora ou estou me deixando pouco a pouco influenciar pelos conceitos com que me bombardeiam?
É nessa luta que fico pensando nas palavras de Oscar Wilde: "Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe".
Aprendemos a evitar aquilo que nos provoca dor ou desconforto, descobrimos que há sabores, ações, canções, palavras que nos causam prazer e a esses procuramos.
E conforme crescemos vamos aprendendo cada vez mais, e de uma forma gradativamente mais apurada.
Antigamente, as meninas brincavam de bonecas para incutirem na mente de uma maneira lúdica a maternidade. Os meninos brincavam com soldados, cavaleiros, brincavam de trabalhadores ou jogavam bola, para desde pequenos terem noção do universo masculino.
Hoje a sociedade incute valores diferentes daqueles de antigamente. Crianças com seus celulares em uma idade cada vez mais tenra preferem se comunicar, mandar fotos, produzirem-se, viver uma vida mais adulta mais e mais cedo.
As novelas servem de via para colocar as ideias que a sociedade julga ser o senso comum. Relações conturbadas, interações sensuais, o respeito cada vez menor às autoridades.
Mesmo com 40 anos não consegui assistir com certo constrangimento e tristeza a luta voraz entre o Homem de Ferro e o Capitão América - dois heróis que fizeram parte de minha infância e que eu queria ser quando crescesse. E o Super Homem lutando contra o Batman?
Aí surgem os vilões montando um Esquadrão Suicida. Valores totalmente alterados em uma sociedade que está tentando reinventar, redescobrir e reinserir pensamentos nas pessoas.E vemos no Facebook postagens com xingamentos à polícia ao passo que defendem o outro lado. Cheguei a ver consternado uma postagem comemorando a morte de um PM.
Vejo gente xingando o governo que diz ser corrupto, vejo gente defendendo o mesmo governo. Vejo um dos países mais poderosos e cultos elegerem o improvável.
E eu, fazendo parte de tudo isso, com essa chuva de ideias e conceitos novos, pergunto-me: em que me tornei? Sou ainda o mesmo de outrora ou estou me deixando pouco a pouco influenciar pelos conceitos com que me bombardeiam?
É nessa luta que fico pensando nas palavras de Oscar Wilde: "Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe".
terça-feira, 11 de outubro de 2016
Sobre brigas, crianças e bruxas
Se eu quisesse andar nu, jogar lixo no chão e ouvir Wesley Safadão ou funk sem fone de ouvido, deveria me isolar do mundo, vivendo em um local perdido no meio de uma selva. Quem prefere viver em sociedade, deve seguir regras de conduta e boa vivência. Mais óbvio, impossível.
Durante minha breve passagem por Poços de Caldas tive muitos momentos bons. Porém preciso comentar alguns tristes episódios que presenciei para nos fazer pensar e rever se precisamos mudar.
Durante dois dias apenas, foram quatro brigas ou discussões que aconteceram perto de mim. Uma mãe deu a maior bronca na filha adolescente, entre gritos e gestos, em meio à multidão. E constranger um adolescente não me parece a melhor maneira de ganhar sua confiança.
Houve o episódio do rapaz que passou perto de um trailer de lanche e ficou trocando ofensas com um funcionário. O motivo, pelo visto, não era referente ao atendimento, era alguma rusga pessoal que estava sendo lavada no momento do serviço de um deles.
Teve também um casal de meia idade que estava no maior bate boca, com direito ao homem segurar no pescoço da mulher, numa clara demonstração de machismo e de violência.
E ainda duas mulheres que brigaram porque uma delas queria passar na calçada e empurrou uma criança. A criança reagiu, chutou a mulher e contou para a mãe. E a mãe queria até chamar a polícia porque a filha disse que fora agredida. Lembrei-me dos tempos de inquisição, quando clérigos queimavam mulheres só porque "inocentes" crianças diziam que estas eram bruxas.
Vendo esses episódios, lembrei-me das palavras do escritor francês George Duhamel: "O homem é incapaz de viver só, e é incapaz também de viver em sociedade".
Ontem mesmo ouvi o palestrante Paulo Vieira dizer algo muito interessante. Por não termos coragem de mudar a nós mesmos, queremos mudar os outros: nossos filhos, nossos pais, nosso cônjuge, as pessoas ao nosso redor. Queremos que todos se adequem ao nosso estilo de vida, quando na verdade nós é que precisamos nos adequar para bem viver com os outros.
A mudança começa em nós. Nunca nos esqueçamos disso. Ah, e não dê tanto ouvido a brigas de crianças, elas esquecem em fração de segundos. Não vale a pena queimar uma bruxa por causa delas.
Durante minha breve passagem por Poços de Caldas tive muitos momentos bons. Porém preciso comentar alguns tristes episódios que presenciei para nos fazer pensar e rever se precisamos mudar.
Durante dois dias apenas, foram quatro brigas ou discussões que aconteceram perto de mim. Uma mãe deu a maior bronca na filha adolescente, entre gritos e gestos, em meio à multidão. E constranger um adolescente não me parece a melhor maneira de ganhar sua confiança.
Houve o episódio do rapaz que passou perto de um trailer de lanche e ficou trocando ofensas com um funcionário. O motivo, pelo visto, não era referente ao atendimento, era alguma rusga pessoal que estava sendo lavada no momento do serviço de um deles.Teve também um casal de meia idade que estava no maior bate boca, com direito ao homem segurar no pescoço da mulher, numa clara demonstração de machismo e de violência.
E ainda duas mulheres que brigaram porque uma delas queria passar na calçada e empurrou uma criança. A criança reagiu, chutou a mulher e contou para a mãe. E a mãe queria até chamar a polícia porque a filha disse que fora agredida. Lembrei-me dos tempos de inquisição, quando clérigos queimavam mulheres só porque "inocentes" crianças diziam que estas eram bruxas.
Vendo esses episódios, lembrei-me das palavras do escritor francês George Duhamel: "O homem é incapaz de viver só, e é incapaz também de viver em sociedade".
Ontem mesmo ouvi o palestrante Paulo Vieira dizer algo muito interessante. Por não termos coragem de mudar a nós mesmos, queremos mudar os outros: nossos filhos, nossos pais, nosso cônjuge, as pessoas ao nosso redor. Queremos que todos se adequem ao nosso estilo de vida, quando na verdade nós é que precisamos nos adequar para bem viver com os outros.
A mudança começa em nós. Nunca nos esqueçamos disso. Ah, e não dê tanto ouvido a brigas de crianças, elas esquecem em fração de segundos. Não vale a pena queimar uma bruxa por causa delas.
quarta-feira, 7 de setembro de 2016
Entre um Pokémon e um selinho
Eu entrei no vestiário da Sport Life Academia e meu sobrinho Kaique, de 10 anos, um futuro poeta, se Deus quiser, estava conversando com seus amigos da natação.
Enquanto eu tomava um banho, escutava a conversa daqueles jovenzinhos, tão entretidos com o assunto que nem deram bola para minha presença.
"Ano passado, eu namorei seis meninas", contava um deles, "mas este ano não consegui nenhuma. Sabe o que acontece? As meninas estão mudadas. Agora elas só querem saber de meninos com dinheiro", concluiu.
"Eu hoje comecei a namorar", disse então meu sobrinho. "Eu pedi ela em namoro e ela disse que ia pensar. Então, durante a aula, nós dois afundamos na piscina e ela acenou com a cabeça dizendo que sim", relatou, todo apaixonado. E ainda concluiu: "eu estou apaixonado de muito amor".
Claro que eu e outros adultos ríamos da conversa inusitada dos "aspirantes a gente grande".
Mas fiquei meditando durante a noite nesta conversa de garotos e não consegui dormir enquanto não concluí o que estava explícito naquele papo pueril: o mundo exige que cresçamos rápido demais.
As crianças agora entram nas conversas de adultos, prestam atenção nas ideias dos pais, acham-se semelhantes aos maiores. Entre o pião, a figurinha do Pokémon para jogar bafo, a pipa... tem a menina que eu amo, as meninas que querem os meninos com dinheiro.
Nessa mescla de informações que invade o mundo das crianças, elas crescem formando uma nova sociedade... equilibrada entre razão e emoção.
Se essas crianças não forem ensinadas a ser poetas, não sei como sobreviverão a tão drástica mudança de conceitos que a sociedade imprime.
Entre a captura de um monstrinho do pokémon go e um selinho dado na menina ecoam as palavras de Quintana:
"Quando guri, eu tinha de me calar à mesa: só as pessoas grandes falavam. Agora, depois de adulto, tenho de ficar calado para as crianças falarem".
Enquanto eu tomava um banho, escutava a conversa daqueles jovenzinhos, tão entretidos com o assunto que nem deram bola para minha presença.
"Ano passado, eu namorei seis meninas", contava um deles, "mas este ano não consegui nenhuma. Sabe o que acontece? As meninas estão mudadas. Agora elas só querem saber de meninos com dinheiro", concluiu.
"Eu hoje comecei a namorar", disse então meu sobrinho. "Eu pedi ela em namoro e ela disse que ia pensar. Então, durante a aula, nós dois afundamos na piscina e ela acenou com a cabeça dizendo que sim", relatou, todo apaixonado. E ainda concluiu: "eu estou apaixonado de muito amor".
Claro que eu e outros adultos ríamos da conversa inusitada dos "aspirantes a gente grande".
Mas fiquei meditando durante a noite nesta conversa de garotos e não consegui dormir enquanto não concluí o que estava explícito naquele papo pueril: o mundo exige que cresçamos rápido demais.
As crianças agora entram nas conversas de adultos, prestam atenção nas ideias dos pais, acham-se semelhantes aos maiores. Entre o pião, a figurinha do Pokémon para jogar bafo, a pipa... tem a menina que eu amo, as meninas que querem os meninos com dinheiro.
Nessa mescla de informações que invade o mundo das crianças, elas crescem formando uma nova sociedade... equilibrada entre razão e emoção.
Se essas crianças não forem ensinadas a ser poetas, não sei como sobreviverão a tão drástica mudança de conceitos que a sociedade imprime.
Entre a captura de um monstrinho do pokémon go e um selinho dado na menina ecoam as palavras de Quintana:
"Quando guri, eu tinha de me calar à mesa: só as pessoas grandes falavam. Agora, depois de adulto, tenho de ficar calado para as crianças falarem".
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