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terça-feira, 11 de outubro de 2016

Sobre brigas, crianças e bruxas

Se eu quisesse andar nu, jogar lixo no chão e ouvir Wesley Safadão ou funk sem fone de ouvido, deveria me isolar do mundo, vivendo em um local perdido no meio de uma selva. Quem prefere viver em sociedade, deve seguir regras de conduta e boa vivência. Mais óbvio, impossível.
Durante minha breve passagem por Poços de Caldas tive muitos momentos bons. Porém preciso comentar alguns tristes episódios que presenciei para nos fazer pensar e rever se precisamos mudar.
Durante dois dias apenas, foram quatro brigas ou discussões que aconteceram perto de mim. Uma mãe deu a maior bronca na filha adolescente, entre gritos e gestos, em meio à multidão. E constranger um adolescente não me parece a melhor maneira de ganhar sua confiança.
Houve o episódio do rapaz que passou perto de um trailer de lanche e ficou trocando ofensas com um funcionário. O motivo, pelo visto, não era referente ao atendimento, era alguma rusga pessoal que estava sendo lavada no momento do serviço de um deles.
Teve também um casal de meia idade que estava no maior bate boca, com direito ao homem segurar no pescoço da mulher, numa clara demonstração de machismo e de violência.
E ainda duas mulheres que brigaram porque uma delas queria passar na calçada e empurrou uma criança. A criança reagiu, chutou a mulher e contou para a mãe. E a mãe queria até chamar a polícia porque a filha disse que fora agredida. Lembrei-me dos tempos de inquisição, quando clérigos queimavam mulheres só porque "inocentes" crianças diziam que estas eram bruxas.
Vendo esses episódios, lembrei-me das palavras do escritor francês George Duhamel: "O homem é incapaz de viver só, e é incapaz também de viver em sociedade".
Ontem mesmo ouvi o palestrante Paulo Vieira dizer algo muito interessante. Por não termos coragem de mudar a nós mesmos, queremos mudar os outros: nossos filhos, nossos pais, nosso cônjuge, as pessoas ao nosso redor. Queremos que todos se adequem ao nosso estilo de vida, quando na verdade nós é que precisamos nos adequar para bem viver com os outros.
A mudança começa em nós. Nunca nos esqueçamos disso. Ah, e não dê tanto ouvido a brigas de crianças, elas esquecem em fração de segundos. Não vale a pena queimar uma bruxa por causa delas.


domingo, 9 de outubro de 2016

Sonhou? Agora acorde e faça!

Foi durante um passeio na cidade mineira de Poços de Caldas que conheci o dono de um trailer de lanches, cujo apelido é Pupila.
Até certo momento, Pupila era uma pessoa como outra qualquer: um trailer de lanches, chamando cada um dos turistas que passavam ali em frente para ver o cardápio... exatamente igual aos outros 20 trailers colocados um ao lado do outro.
Mas Pupila me fez entender a verdade na frase do cantor Bob Marley, que disse: "Nossas vidas são definidas por momentos. Principalmente aqueles que nos pegam de surpresa".
O carro chefe do trailer de lanches do Pupila não é um lanche, mas sim o famoso "macarrão na chapa".
Uma macarronada completa, com um molho vermelho e shoyu, um omelete gigante, fora bacon, linguiça, milho entre outros ingredientes.
Mais surpreendente, foi a história deste macarrão.
Tempos atrás, Pupila estava endividado, cobradores fazendo fila no trailer para receber. O sistema nervoso fez surgir uma diabetes e ele, passando mal, resolveu ir para casa descansar.
Durante o sono, sonhou que estava preparando uma macarronada na chapa. Ele acordou e correu para o trailer, preparar uma macarronada na chapa exatamente como havia sonhado. A coisa ficou boa, ele colocou no cardápio a "invenção sonhada" e esta se tornou a principal pedida do povo de Poços. Hoje, ele resolveu o problema das dívidas e tem, além do trailer, mais dois pontos comerciais fixos, onde faz lanches, pizzas e, como não podia deixar de ser, macarrão na chapa.
Vi na história de meu novo amigo Pupila a personificação do que eu sempre tenho escrito: a gente tem que pegar nossos sonhos, acordar e agir para eles se tornarem reais.
Não precisa ser um sonho literal, como aconteceu com Pupila, mas se ficarmos deitados às noites suspirando por anseios e desejos que gostaríamos de ver realizados e quando levantamos, escovamos os dentes e voltamos a nossas vidas medíocres, cheios de lamentações, nunca teremos a chance de vencer.
Pupila me deu ainda outra lição (envolvendo pastel!) mas essa vou deixar para minha próxima postagem. Por hoje, basta o grande exemplo deste sonhador que não fica apenas sonhando. Afinal, "tudo o que um sonho precisa para ser realizado é alguém que acredite que ele possa ser realizado", disse Roberto Shinyashiki.



Macarrão na Chapa: do sonho à realidade

Não é propaganda, é para mostrar que o Pupila existe!