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terça-feira, 1 de novembro de 2016

Não somos uma linha reta

Trezentos e cinquenta e seis. Este é o número de sentimentos humanos catalogados pela Ciência. Somos realmente um grande armazém de sensações, uma caixa de pandora repleta de emoções que surgem e somem, uma a uma, a cada instante.
Impossível imaginar que sigamos um dia inteiro em linha reta, com um sentimento apenas, sem nenhuma alteração de atitudes e de humor.
Depois que comecei a desenvolver meus sonhos, percebi que me tornei uma pessoa mais agradável, mais feliz e menos depressiva.
Mas tem dias, como ontem, em que eu estava enraivecido. Não sem motivo, mas os motivos não valiam a pena e nem justificariam minhas atitudes.
Fui grosseiro, ranzinza, chato.
E estou escrevendo isto não para fazer um mea culpa. Eu quero aproveitar a situação para dizer a todos que não devemos nos culpar por nossos sentimentos.
Talvez nos arrependamos de ações impensadas, mas de sentimentos não podemos nos culpar, porque eles estão todos dentro de nós e em algum momento pedem para sair.
Sua personalidade é exatamente isto: uma pessoa cheia de sentimentos e estes extravasam vez por outra. Quem o ama, vai entender a situação.
Seja sempre você, coloque seus sentimentos para funcionar. Não se arrependa de ser humano e expor o que sente.
Somente assim você se sentirá completo. E quem é completo, é feliz.
É uma situação complexa, como explanou Fernando Pessoa: "A maioria pensa com a sensibilidade, e eu sinto com o pensamento. Para o homem vulgar, sentir é viver e pensar é saber viver. Para mim, pensar é viver e sentir não é mais que o alimento de pensar".


terça-feira, 20 de setembro de 2016

Cuidado com o tamanho das pernas

Dizia Fernando Pessoa: "O esforço é grande e o homem é pequeno. Eu, Diogo Cão, navegador, deixei este padrão aos pés do areal moreno. E para diante naveguei".
O poeta retrata a coragem do navegante descobridor do Cabo da Boa Esperança, Diogo Cão.
Claro que grandes conquistas exigem gestos de bravura, atos de fé ao lutar e enfrentar o desconhecido.
Mas o que acontece com a maioria das pessoas não são atos de bravura. Elas fazem o que vulgarmente se chama de "dar o passo maior do que as pernas".
Longe de ser a coragem de um navegante, é a burrice de alguém que não mede as consequências de seus atos e que, por isso, aposta e perde todas as fichas, embrenhando-se em um lamaçal de problemas.
Então o cara mais ciumento vai se envolver com a mulher mais bonita, cobiçada e liberal da cidade. E arruma uma dor de cabeça gigantesca porque quer colocar cabresto em quem nasceu para ser livre.
É o caso também da pessoa que se aposenta e, ao pegar aquela grande quantia de dinheiro, não pensa duas vezes para comprar aquele carro com o qual sonhou a vida inteira, e acaba afundando em dívidas, porque depois não suporta pagar o IPVA e a manutenção do seu veículo.
Tem aquela do rapaz que começa a construir um castelo e o dinheiro acaba antes mesmo de erguer um bangalô para se esconder.
Ponderar, pesar, meditar são palavras que existem para serem praticadas.
Planejar é fundamental na sociedade atual. Meça suas pernas e veja a distância do passo que pode ser dado. Do contrário, a queda é certa (pelo menos um tropeço).
Não quero desanimar ninguém. O que mais me alegra é ver pessoas serem bem sucedidas porque descobriram que seu passo pode ser maior se ele souber dar um pulo seguro. E com isso foi avançando e crescendo.
Medite, peça conselhos a quem venceu, imite exemplos de pessoas bem-sucedidas, ouça a voz dos experientes.
E é assim que diremos como Júlio César: "Veni, Vidi, Vici".

Obs.: Agradeço ao amigo Romeu Zampieri pela sugestão de pauta que gerou este texto! Valeu, amigão!