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quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Por que se odiar?

Odeio o racismo. Acho-o chulo e incompreensível.
Não consigo compreender como traços físicos e cor de pele servem de indicativos de capacidade, caráter e inteligência.
Estava assistindo a uma retrospectiva em um canal de TV aberta e vi uma matéria sobre declarações racistas contra a filha adotiva do ator Bruno Gagliasso, Titi, de apenas dois anos. A menina é negra e recebeu insultos pesados no Facebook.
O ator prestou queixa à polícia sobre racismo. E os policiais encontraram a autora das ofensas. Pasmem: era uma menina de 14 anos, que mora em uma comunidade de baixa renda e que é negra.
Segundo apurei, a mesma menina foi autora de ofensas racistas contra a cantora Gaby Amarantos.
Talvez eu odeie mais a educação capenga do Brasil que não se presta a criar valores coerentes em crianças.
Não consigo entender esse ato: a adolescente se odeia tanto a ponto de ofender personagens midiáticos que sejam de sua cor? Segundo noticiários, essa menina não demonstrou arrependimento por ter agido desta forma.
Em que sociedade de direito podemos viver, se não temos noção de direito, ou seja, acreditamos que nosso direito é soberano e vai acima dos direitos de outrem?
Que sociedade tosca é esta, em que odiamos nosso semelhante, mesmo sem conhecê-lo, simplesmente por refletir nele as frustrações a que somos expostos e sofremos?
Este lado obtuso de nossa sociedade, essa realidade vergonhosa deveria ser mudada e é por isso que cabe a cada um de nós fazer o mundo ser um lugar melhor.
Calar-se diante dessas situações é aceitar o erro. Não vamos ficar quietos diante do racismo e do preconceito. E ainda defendo a educação de qualidade como a arma que vai extinguir esse cancro.
Mas não me refiro a educação de colégios pagos, porque estudantes desses colégios também incendeiam índios ou se acham superiores.
A educação deve ser profunda. Formar poetas, leitores de sentimentos, agentes modificadores da sociedade que fomentem valores adequados e bem distintos daqueles da época da vovó que dizia que "passou das seis horas já é noite".
Bem disse Voltaire: "Os preconceitos são a razão dos imbecis".



segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Democracia obrigada

Já dizia Nelson Rodrigues que "toda unanimidade é burra". Concordo com ele, pois o complemento da frase é "quem pensa com a unanimidade não precisa pensar".
Vivemos em um Estado de Direito em que enchemos a boca quando dizemos que estamos sob um manto de democracia.
Mas eu sinceramente questiono uma democracia obrigatória como a que vivemos em nosso país.
Vamos comparar: remédios gratuitos é um direito do povo. Pelo que vejo, não é preciso obrigar ninguém a ir correndo no posto para pegar (e brigar) pelo direito de receber até o remédio para dor de cabeça que custa centavos na farmácia. Ninguém se abstém de pegar, ninguém anula o direito ou deixa passar em branco a receita.
Dizem que votar é um direito conquistado a duras penas. Mas o que vejo é um povo apático, que se não fosse obrigado a votar preferia ficar em casa fazendo churrasco. Como é obrigado, ele vota em qualquer um com quem simpatizar ou lhe oferecer benesses.
No caso do direito ao remédio, a pessoa entende que o futuro de sua saúde está em jogo. No caso do voto, a pessoa não vê futuro nenhum, apenas vai lá e se acha um a mais para apertar os botões e cumprir com uma obrigação.
Não acredito em uma democracia obrigada.
Acredito... melhor dizer SONHO em que a Educação do país seja capaz de formar pessoas conscientes. leitores que entendam textos, pensadores, artistas, poetas, pessoas capazes de pensar e sentir, equilibrando a razão e emoção.
Não acredito numa democracia em que crianças fogem da escola, em que professores entregam atestados para escapar de uma classe onde impera o caos. Não dá para crer em uma democracia que maquia o "agir igual" travestindo-o em "direito de escolha".
Essa unanimidade burra não pode nunca ser democracia. Queria um país de pessoas, não de robôs.
Lei de Gerson, busca por interesses, tudo pode ser usado para atingir objetivos.
E vou silenciar agora, deixando ecoar a frase de Mahatma Gandhi: "Estou firmemente convencido que só se perde a liberdade por culpa da própria fraqueza".