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quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

A "posse" mata

Deparei-me ontem com uma frase de Osho que é quase auto explicativa: "Se você ama uma flor, não a colha. Por que se você colhê-la, ela morre e deixa de ser o que você ama. Então se você ama a flor, deixe-a estar. O amor não está na posse. O amor está na apreciação".
O sentimento de posse sobre aquilo que amamos é negativo e destrutivo.
Sufocado, o ser amado vai definhando em seu interior, na preocupação de que "isso magoa", "aquilo magoa", "não posso fazer assim", "tenho que fazer desse jeito".
E esses gatilhos mentais e emocionais tornam a pessoa escrava daquela que a possui. Isso suga energias, drena a liberdade que nos foi divinamente presenteada, faz-nos definhar quanto seres pensantes.
Então, se eu amo dou a liberdade do ser amado estar comigo porque quer, porque se sente bem, porque deseja estar ali. Não posso encoleirar a pessoa, como se fosse um cão que, se não ficar preso no quintal, sai a revirar lixos na vizinhança e se estranhar com outros vira-latas.
Quem já ficou sentado no quintal ou no jardim já deve ter vivido a experiência de ver um pássaro chegar para ciscar bem pertinho. Ele fica ali, olhando para você, pulando para lá e para cá. Mas ao menor sinal de que queremos pegá-lo, ele foge. É assim que funciona. O amor está na apreciação.
E quem é amado precisa sim respeitar aquele que o ama. Porque o amor é o maior presente que se pode ganhar e ele tem um custo muito grande para quem o dá.
Sendo assim, é preciso ter o cuidado de não magoar aquele que ama e confia em nós porque, afinal, se também amamos essa pessoa, também a apreciamos.
Amar é deixar livre. Ponto final.


segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Democracia obrigada

Já dizia Nelson Rodrigues que "toda unanimidade é burra". Concordo com ele, pois o complemento da frase é "quem pensa com a unanimidade não precisa pensar".
Vivemos em um Estado de Direito em que enchemos a boca quando dizemos que estamos sob um manto de democracia.
Mas eu sinceramente questiono uma democracia obrigatória como a que vivemos em nosso país.
Vamos comparar: remédios gratuitos é um direito do povo. Pelo que vejo, não é preciso obrigar ninguém a ir correndo no posto para pegar (e brigar) pelo direito de receber até o remédio para dor de cabeça que custa centavos na farmácia. Ninguém se abstém de pegar, ninguém anula o direito ou deixa passar em branco a receita.
Dizem que votar é um direito conquistado a duras penas. Mas o que vejo é um povo apático, que se não fosse obrigado a votar preferia ficar em casa fazendo churrasco. Como é obrigado, ele vota em qualquer um com quem simpatizar ou lhe oferecer benesses.
No caso do direito ao remédio, a pessoa entende que o futuro de sua saúde está em jogo. No caso do voto, a pessoa não vê futuro nenhum, apenas vai lá e se acha um a mais para apertar os botões e cumprir com uma obrigação.
Não acredito em uma democracia obrigada.
Acredito... melhor dizer SONHO em que a Educação do país seja capaz de formar pessoas conscientes. leitores que entendam textos, pensadores, artistas, poetas, pessoas capazes de pensar e sentir, equilibrando a razão e emoção.
Não acredito numa democracia em que crianças fogem da escola, em que professores entregam atestados para escapar de uma classe onde impera o caos. Não dá para crer em uma democracia que maquia o "agir igual" travestindo-o em "direito de escolha".
Essa unanimidade burra não pode nunca ser democracia. Queria um país de pessoas, não de robôs.
Lei de Gerson, busca por interesses, tudo pode ser usado para atingir objetivos.
E vou silenciar agora, deixando ecoar a frase de Mahatma Gandhi: "Estou firmemente convencido que só se perde a liberdade por culpa da própria fraqueza".