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quinta-feira, 3 de novembro de 2016

O absurdo dos beliebers!

Cazuza não deveria ter pedido: "Brasil, mostra a sua cara".
Sou totalmente a favor que os pais incentivem os gostos de seus filhos, que os motivem a ir em frente em seus sonhos, invistam na formação intelectual de sua prole.
Mas hoje fiquei estarrecido ao ver que muitos adolescentes estão acampando em um estádio no Rio de Janeiro para conseguirem um bom lugar para assistir ao show do ídolo teen Justin Bieber, que será daqui a cinco meses!
Não vou questionar as atitudes destes adolescentes (que se autodenominam Beliebers) porque sabemos que ainda não formaram totalmente seu intelecto e talvez venham a se envergonhar destas atitudes no futuro.
Mas que dizer de pais que permitem e incentivam os filhos a dormir em barracas esperando um show musical?
Observando este vergonhoso acontecimento, fica fácil entender que as prioridades brasileiras passam bem longe da utopia da Educação de qualidade, eleitores conscientes, fim do jeitinho brasileiro, igualdade de direitos.
O que eu quero não é passar na faculdade, eu não quero que o político eleito não desvie milhões enquanto pago fortunas de impostos, não quero saúde de qualidade. Eu quero é ficar no gargarejo do Justin!
Reclamamos da política do Pão e Circo, mas com matérias deste tipo comprovamos que estamos implorando pelo circo. Já foi Copa do Mundo, já foram Olimpíadas. Não critico estes eventos, mas já aconteceram, tivemos nossa cota de circo, agora vamos trabalhar, fazer girar o motor do país.
Pois agora será Rock in Rio, e show do Justin Bieber.
Pais, ajudem a endurecer um pouco a moleira de seus filhos. Não os deixe gelatinizar os cérebros. Nada no mundo (nem shows, nem palestras, nem fenômenos) justificaria uma espera em barracas por cinco meses. Quanto mais este cantor canadense que, quando esteve no Brasil em 2013, envolveu-se em polêmicas por pichação e por dormir com uma garota de programa?
Resta a dúvida: será que os pais têm autoridade para proibir os rebentos de fazer essa besteira? Mas isso é assunto para outro ensaio.
No mais William Shakespeare poderia estar pensando nesta notícia quando escreveu: "Embora a autoridade seja um urso cabeçudo, pode ser conduzida, muitas vezes, pelo nariz com um cordão de ouro."

fonte: site Jovem Pan FM

sábado, 22 de outubro de 2016

Eu te amo, Falsiane!

Em minhas palestras, ressalto a importância em equilibrar nossa vida, numa sociedade tão cheia de razão, com uma boa dose de emoção.
Os tempos mudaram, e os sentimentos precisam estar permeando os pensamentos racionais para que tudo possa ocorrer dentro da normalidade, dentro do equilíbrio.
Mas há uma vertente que vem me chamando atenção. As adolescentes a denominaram "Falsiane".
Quem se aventura pelo Facebook, vai notar o que digo: há uma maré de postagens em que a palavra "amor" e suas derivações viraram doce nos dedos dos facers.
Cada foto postada, vemos um exército de emoticons (aqueles desenhinhos) de coração e a frase: "te amo para sempre", "meu mozi", "amorzinha", "minha amada" e por aí vai.
Mas o sentimento, via de regra, é semente. Precisa ser plantado e cultivado. Não se ama sem história.
Amor à primeira vista é paixão. Amor sem história é devaneio.
Conheço pessoas que postam que amam, depois xingam, amanhã estão "de mal", depois fazem as pazes, então não se falam mais.
Claro que os adolescentes estão numa época em que afloram os sentimentos, e eles tentam experimentá-los todos ao mesmo tempo. Mas tem gente que carrega isso para a vida adulta. Não seja uma Falsiane, que finge sentir algo, mas não o demonstra.
Sentimentos são demonstrados. Não dá para esconder uma árvore frondosa. Da mesma forma, um sentimento bem arraigado e verdadeiro não dá para se disfarçar.
Fuja dos rótulos, evite o modismo. Dizer "eu te amo" para tudo e todos está na moda. Seja mais original e fale o que realmente sente.
Vamos abrir a temporada de caça às Falsianes. Extingui-las.
E para todas as Falsianes, ofereço a frase de Cazuza (que com certeza elas aaaamam): "Não quero que finja sentimentos por mim, não quero que segure a minha mão se tem intenção de soltá-la. Só quero o que for verdadeiro".


sábado, 15 de outubro de 2016

Quem merece uma lágrima?

Sorrir é uma dádiva que devemos ofertar a todos.
Sorrir para os amigos é sinal de que nos fazem bem e que os queremos sempre em nossa vida.
Sorrir para quem amamos é uma demonstração de que desejamos essa pessoa sempre por perto.
Sorrir para os inimigos é a prova de que eles não nos afetam e que, ao contrário do que eles nos desejam, estamos bem.
Agora, a minha pergunta principal é: para quem devemos chorar?
Estou pensando na frase do fotógrafo e escritor contemporâneo Tuca Neves: "A lágrima é a prova fiel de que dentro da gente bate um sentimento puro e sincero".
É verdade que chorar torna a pessoa mais forte, uma vez que lhe clareia os pensamentos, alivia as tensões e a liberta da vergonha de expor sentimentos negativos, tal como a tristeza.
Contudo, não é qualquer pessoa que merece presenciar nossas lágrimas. Pessoas que se alegram com nossos momentos de entrega, pessoas que ansiaram por ver nossas lágrimas, pessoas que não se dispõem a cessá-las...essas pessoas não merecem que se derrubem pérolas por elas.
Porque lágrimas são como pérolas. A valiosa demonstração de sentimentos é importante demais e somente pessoas especiais merecem presenciar.
Chore, sim, porque é bom. Mas chore somente diante de quem merece, ou chore sozinho.
Ah, e não chore por motivos podres. Chorar por uma desilusão amorosa, não! Chorar por sair de um emprego medíocre? Não! Chorar porque algum infeliz falou palavras duras a você? Claro que não!
Chore porque você acreditou em alguém e se enganou, chore porque você perdeu tempo utilizando seus talentos em um serviço pífio. Chore pela dor de segurar algumas boas respostas e que você engoliu simplesmente para não se rebaixar ao lodo em que outra pessoa estava ao ofendê-lo.
Você é uma pessoa valiosa. Você se ama. Você pode mudar o mundo e precisa estar bem para que isso aconteça.
E não se esqueça do que disse Cazuza: "Ninguém nunca mereceu o meu choro, nem a falta de apetite".