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sábado, 15 de outubro de 2016

Quem merece uma lágrima?

Sorrir é uma dádiva que devemos ofertar a todos.
Sorrir para os amigos é sinal de que nos fazem bem e que os queremos sempre em nossa vida.
Sorrir para quem amamos é uma demonstração de que desejamos essa pessoa sempre por perto.
Sorrir para os inimigos é a prova de que eles não nos afetam e que, ao contrário do que eles nos desejam, estamos bem.
Agora, a minha pergunta principal é: para quem devemos chorar?
Estou pensando na frase do fotógrafo e escritor contemporâneo Tuca Neves: "A lágrima é a prova fiel de que dentro da gente bate um sentimento puro e sincero".
É verdade que chorar torna a pessoa mais forte, uma vez que lhe clareia os pensamentos, alivia as tensões e a liberta da vergonha de expor sentimentos negativos, tal como a tristeza.
Contudo, não é qualquer pessoa que merece presenciar nossas lágrimas. Pessoas que se alegram com nossos momentos de entrega, pessoas que ansiaram por ver nossas lágrimas, pessoas que não se dispõem a cessá-las...essas pessoas não merecem que se derrubem pérolas por elas.
Porque lágrimas são como pérolas. A valiosa demonstração de sentimentos é importante demais e somente pessoas especiais merecem presenciar.
Chore, sim, porque é bom. Mas chore somente diante de quem merece, ou chore sozinho.
Ah, e não chore por motivos podres. Chorar por uma desilusão amorosa, não! Chorar por sair de um emprego medíocre? Não! Chorar porque algum infeliz falou palavras duras a você? Claro que não!
Chore porque você acreditou em alguém e se enganou, chore porque você perdeu tempo utilizando seus talentos em um serviço pífio. Chore pela dor de segurar algumas boas respostas e que você engoliu simplesmente para não se rebaixar ao lodo em que outra pessoa estava ao ofendê-lo.
Você é uma pessoa valiosa. Você se ama. Você pode mudar o mundo e precisa estar bem para que isso aconteça.
E não se esqueça do que disse Cazuza: "Ninguém nunca mereceu o meu choro, nem a falta de apetite".


quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Bipolaridade: tudo junto e misturado

Raul Seixas cantou: "eu prefiro ser essa metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo".
O texto pode lembrar um assunto que confunde muitas pessoas: a bipolaridade.
Só para iniciar meu raciocínio, vou trazer à baila também a frase da escritora contemporânea Geanne Slater: "Transtorno bipolar é uma doença. O que você tem é frescura".
Sim, muitos acham que o simples fato de mudar de opinião de uma ora para outra é bipolaridade. O que de fato não é.
O transtorno bipolar é uma doença triste e quem convive com alguém assim (como eu convivi) sabe o quanto é desgastante e extenuante para todos essa convivência.
O bipolar vive momentos de mania quando fala demais, ri de qualquer coisa, está extremamente motivada que chega ao ponto de irritar, interpreta acontecimentos de forma errada,  é exigente, irritadiça.
De repente, uma frase faz a pessoa despencar. Ela chora à toa, não está feliz consigo mesma, todos os seus apontamentos são negativos. Fala de se matar, inventa histórias que não aconteceram (mas que para ela foi real).
Estas pessoas, apesar de muitos se negarem, precisam de ajuda profissional. Não tem como um amigo ajudar a curá-las. Precisa ser um psicólogo e um psiquiatra.
É como se dentro da pessoa brigassem o "sim", o "não" e o "talvez". Três pontos, como uma reticências.
Como disse Clarisse Lispector:
"Eu sou uma completa incógnita.
Tal dia quero, tal dia não quero."