segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Sinais: uma verdadeira declaração!

Hoje o que me inspirou a escrever foi uma postagem que vi no Facebook que, se não me falha a memória, dizia que o mais importante não é o "boa noite", mas o sinal de que a pessoa lembrou de você antes de dormir.
Estudar o comportamento humano é fascinante justamente porque todos os nossos atos são sinais que indicam o que pensamos, o que sentimos, o que desejamos.
Dizer "eu te amo", "lembrei de você", "você não sai da minha cabeça", "gosto de você" podem ser somente palavras - e na realidade são!
Contudo, como expressado pela postagem que li, há sinais que indicam que a pessoa lembra de você, gosta de você, sente carinho por você.
Um simples "boa noite", como dito, é uma inegável demonstração de que a pessoa lembrou de nós. Ao curtir mais de uma foto sua no Instagram, o sinal demonstrado é que a pessoa não curtiu simplesmente a foto que apareceu em seu histórico (como aparecem fotos de tantos outros contatos). O fato de curtir mais de uma foto mostra que a pessoa se preocupou em olhar suas postagens, em visitar seu perfil, ela se interessou por você.
Isto são coisas que não podemos exigir de uma pessoa, como exigimos que ela fale "eu te amo". Sinais surgem espontaneamente e precisamos ter discernimento e sensibilidade para distingui-los.
Como é bom receber um "bom dia" no Whatsapp. Ora, qual foi o primeiro pensamento da pessoa logo pela manhã? Foi você, sem dúvida!
Aí um escritor dedica um artigo inteiro a uma pessoa, contando tudo o que ela fez a ele, e da felicidade que lhe causou. O que sinaliza?
Caro leitor, leia os sinais. Veja as entrelinhas das ações.
Cobre menos, entenda mais.
Pode ser que este seja o segredo dos maiores e melhores relacionamentos, como cantou Djavan:
"Teus sinais me confundem da cabeça aos pés, mas por dentro eu te devoro/
Teu olhar não me diz exato quem tu és, mesmo assim eu te devoro."

domingo, 26 de fevereiro de 2017

A quantas anda o copo? Meio vazio ou meio cheio?

Há alguns dias, chamou-me a atenção a postagem de uma pessoa para mim muito querida em uma rede social.
A postagem é bem conhecida, é uma imagem mostrando um copo com água pela metade, perguntando se o copo está meio cheio ou meio vazio.
O paralelo sugerido pela interpretação do estado do copo é  que pessimistas sempre enxergam o mal, isto é, o vazio no copo, porquanto os otimistas enxergam a parte cheia do copo.
Eu, de minha parte, recordei-me das palavras de Oscar Wilde: "O pessimista é uma pessoa que, podendo escolher entre dois males, prefere ambos."
Porque assim é exatamente como fazem os pessimistas.
Mesmo que o copo esteja repleto, transbordante, com uma jarra ao lado para enchê-lo novamente, o pessimista encontrará um problema. Talvez veja que o copo é de vidro e pode se quebrar. Ou diga que a água está morna e intragável.
Surpreendo-me como há amigos meus, pessimistas, que têm uma criatividade além do normal para tornar em malévola toda e qualquer situação.
Pior ainda: peguei-me pensando como eles algumas vezes. Custou-me a trabalhar isto. Como poderia permitir-me enxergar tudo tosco, mesmo quando a situação era bela?
E as opiniões sobre este assunto entre os grandes pensadores divergem... vão desde a escritora e ativista Hellen Keller que, apesar de cega e surda, escreveu: "Nenhum pessimista jamais descobriu os segredos das estrelas, nem velejou a uma terra inexplorada, nem abriu um novo céu para o espírito." e passam pelo Nobel de Literatura Saramago, que afirmou: "Não sou pessimista. O mundo é que é péssimo."
Sei que a pessoa que fez a postagem que citei no início do texto está passando por momentos ruins mas está com muitas esperanças, pois enxerga o copo meio cheio ("quase cheio com certeza", escreveu em seu comentário na rede social).
Eu estou passando por um momento feliz, o copo para mim está cheíssimo. Gosto de estar e me sentir assim, mesmo sabendo que tudo passa (como escrevi em meu artigo "Isso também vai passar").
Mas houve momentos meus (momentos em que a depressão sentou-se no meu colo) quando, ao me perguntarem: "PC, o copo está meio cheio ou meio vazio?" minha resposta era: "porcaria de copo".
Por isso não julgo, quero ajudar...

sábado, 25 de fevereiro de 2017

Com raiva de alguém? DESPREZE-O!

Somos seres sociais, vivemos em comunidade, desfrutamos de relacionamentos interpessoais, lidamos com as pessoas.
Nossa tendência é enxergar tudo isso de maneira positiva. Mas o relacionamento humano também é permeado de percalços, desentendimentos, mal-entendidos.
Há pessoas que nos magoam, que nos tratam mal, que nos prejudicam. Então temos aquele sentimento negativo e ruim de vingança.
Não vou condenar. Também tenho amargado este sentimento algumas vezes.
Mas o desejo de vingança acaba nos levando à vontade de fazer algo que prejudique a pessoa a quem queremos mal ou até odiamos. Não faça isso, pois essa atitude é de rebaixamento moral.
Então relembro a frase de Roberto Shinyashiki: "Um beijo é melhor do que um tapa, mas um tapa é melhor do que o desprezo."
Estar bem com uma pessoa é a melhor coisa. Por isso o beijo é melhor que um tapa.
Mas a pior coisa que pode ser direcionada a uma pessoa não é o tapa, é o desprezo. Não é ignorar, é desprezar. Por sermos seres sociais, nossa luta é existir e quem identifica nossa existência são as pessoas com quem nos relacionamos.
Se uma pessoa nos despreza, está influenciando diretamente em nosso próprio senso de existência. Isso machuca muito mais de que se ela causasse algum outro tipo de mal, pois é um ato que atinge a própria essência de uma pessoa.
Assim sendo, quando formos vítimas de alguém (não me refiro a crimes, para estes há o rigor da Lei) não tentemos pagar com a mesma moeda. A Lei de Talião não se aplica neste caso. Despreze a pessoa, coloque em sua mente que ela não existe. E a Lei da Atração vai agir, a pessoa será machucada em sua existência.
Experimente. Não suje suas mãos com a vingança. Limpe sua consciência, desprezando.
E encerro com a frase do escritor francês Jules Renard que confirma meu artigo de hoje: "Um pouco de desprezo economiza bastante ódio."



quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Que mania é essa de querer todas as respostas?


O artigo de hoje talvez me condene. É um pensamento particular meu e precisa ser MUITO BEM ENTENDIDO para que não interpretem de forma errada o que vou escrever. Vou falar sobre perguntas e sobre a verdade. Já peço que se for para me condenar, pare de ler este artigo agora (tenho mais de cem outros publicados neste blog).
Por natureza, vivemos em uma eterna busca pela verdade. Queremos saber tudo, queremos saber cada vez mais, queremos ser senhores das informações.
Concordo que a maior fonte de poder é a informação. Com ela, pode-se dominar o mundo.
Mas concordo com as palavras de Nietzsche, que escreveu: "Não há fatos eternos, como não há verdades absolutas."
Portanto, partindo desta premissa, a busca insana por saber tudo e toda a verdade pode ser prejudicial.
Assim como o açúcar pode ser mortal para pessoas com diabetes, o doce saber de uma verdade pode ser extremamente prejudicial para quem não consegue suportar ou que não saiba lidar com ela.
Nestes casos - e, por favor, entendam corretamente - acho que se deixar levar por um pouco de ignorância não há de fazer mal à pessoa.
Há verdades que destroem vidas, casamentos, moral, empregos, instituições, relacionamentos, amizades. Obviamente, o que realmente causaria essa destruição seriam os atos praticados. Mas uma vez acontecido, a verdade pode contribuir para esse prejuízo.
Vou exemplificar: um jovem que fora preso por roubo e agora está regenerado... será fácil para ele arrumar emprego sendo ex-detento? Qual alma caridosa iria "arriscar" deixá-lo cuidando do caixa da loja, ou dar-lhe a chave do estabelecimento para abrir logo pela manhã? Quem disser "EU" há de levar a primeira pedra! Justifica-se então que não saibam de seu antecedente.
E por que pessoas que sofrem a falta de um membro colocam membros de plástico? Eles ficam dia após dia se questionando se aquele membro é um placebo, ou deixam a mente relaxar pensando que não lhes falta uma parte do corpo?
Mais uma vez cito Niezstche: "Há uma inocência na mentira que é o sinal da boa fé numa causa."
Não defendo a mentira. Mas também não acredito que pelo fato de a verdade ser libertadora ela deva ser praticada indiscriminadamente, sem se pesarem as consequências.
O que quero dizer é que, para mim, cheguei à conclusão de que em determinadas circunstâncias eu já sei a resposta, sei que não vou gostar dela e ainda insisto em perguntar.
Por que faço isso?
Resposta: para sofrer. Não tem outra justificativa.
Mais uma vez reafirmo: não quero defender a mentira. O que eu condeno é a busca desenfreada pela verdade mesmo que nos custe a felicidade.
Nunca gostei quando me disseram: "achava você um cara chato e arrogante. Mas depois que o conheci, vi que era legal".
Por que cargas d'água eu iria querer saber isso? Para ter noção de que minha aparência é de alguém intragável? Se a pessoa gosta agora de mim, depois de me conhecer, diga só essa verdade.
Para concluir, pois imagino que meio mundo já me entendeu erroneamente, defendo que as pessoas saibam a verdade somente na medida que possam suportar, para não estragar sua felicidade. Que a verdade seja sempre positiva e, então, libertadora. Não diga ao pintinho que aquele calor gostoso à noite é de uma lâmpada e não de sua mamãe.
E fica aquela pulguinha atrás da orelha quando leio o dramaturgo norueguês Henrik Ibsen: "Se você tira a mentira vital a um homem vulgar, tira-lhe ao mesmo tempo a felicidade."

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Sobre amar a lua e sobre blindar-se

Decidi que, dentre minhas postagens normais, escreverei uma série de artigos voltados especificamente aos poetas. Poetas se machucam fácil demais, pois manuseiam os sentimentos e lidam com pessoas que não os sabem manusear.
Um poeta é culto, delicado, sofisticado, cool. A melhor e sempre preferível companhia.
Mas há pessoas que os machucam, maltratam. Pois sabem que o senso de lealdade dos poetas os faz perdoar e continuar gostando delas.
Hoje quero explicar sobre o amor do poeta para com a lua.
Claro que poetas podem ter por foco amar estrelas, planetas, o mar, flores. E estes acabam por ser personificados pela pessoa que os inspira.
Honra maior é ser, por exemplo, a lua de um poeta. Personificar o objeto de inspiração de um poeta é o mais sublime e elevado elogio que pode ser dado a um mortal.
Mas há aqueles que não pensam assim. E agora vem o alerta para meus amigos que, assim como eu, carregam a sina de sentir demais: muito maior que a pessoa, é ela personificar sua inspiração. Se eu amo a lua, uma pessoa pode ocupar esse lugar até deixar de merecê-lo.
Poeta: você é maior que os mortais.
A pessoa pode ser sua lua, até que deixe de merecer ser sua lua. Outra pessoa poderá ocupar esta honraria. Ame sempre a lua, mas não entregue sua vida a quem a personifica. VOCÊ É MAIOR, POETA!
Raciocínio simples e lógico que comprova minhas palavras: o que diferencia o ser humano de um animal é a capacidade de lidar com sentimentos.
Um cão pode "amar" seu dono, como "amaria" o líder da matilha.
Dizia Machado de Assis que "o gato não nos afaga, afaga-se em nós."
Isso é instintivo. Perdoem-me os defensores dos animais. Gosto muito de minha border colie Meg. Ela é muito amorosa, companheira, carinhosa. Mas já mordeu minha mão várias vezes quando fui dar algo para ela comer. Se ela fosse humana e poeta, saberia pegar com cuidado para não me machucar.
O que eu digo é que por mais que eu goste de minha cadelinha, ela nunca seria poetisa e nunca seria minha lua. E pessoas que agem por instinto, assim como os animais, também não podem ocupar esses cargos.
Pessoas não rosnam para você, não o mordem. Mas o bloqueiam de suas redes sociais sem motivo. Soltam palavras que machucam e sangram na alma.
Não se pede para um poeta esquecer. Não se faz referência a um poeta como "rolo".
Poetas, blindem-se. Protejam-se de quem os trata como iguais aos outros. Quem não valoriza o poeta não merece ser sua lua, sua estrela, seu céu ou seu mar... simplesmente não merece.
E assim como escreveu Kate Dummond: "Parei de me importar. Comecei a me valorizar. E não é o amor por outro alguém que me dispõe essa felicidade. É o amor e respeito comigo mesma! Agora esse é meu lema: me amar, antes de procurar amar alguém!"

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Muitas vezes temos de nos colocar ao alcance da pessoa

Como me sinto em relação à maioria das pessoas com quem
tento conversar sobre meus pensamentos.
Quando as pessoas comentam "O Pequeno Príncipe" geralmente remetem seus pensamentos especialmente à raposa ou à rosa do nobre loiro do planeta pequeno. Muitos citam a brilhante explanação sobre cativar, outros gostam mais de falar sobre haver apenas uma rosa que se destaca entre tantas.
Mas eu hoje queria destacar o início do livro. Na verdade, a linha final do primeiro capítulo e a linha inicial do segundo.
O autor comenta sua experiência de infância como desenhista, ao fazer uma jiboia engolindo um elefante, que todos confundiam com um chapéu.
Já adulto, ele fazia experiência com as pessoas, mostrando o desenho. Todos diziam que era um chapéu, então ele  guardava o desenho e "Punha-me ao seu alcance. Falava-lhe de bridge, de golfe, de política, de gravatas. E a pessoa grande ficava encantada de conhecer um homem tão razoável."
O texto de hoje é um recado a todos os poetas que acompanham meu blog. Lembrando que poeta não é somente quem escreve, é quem lida exacerbadamente com os sentimentos, que sente a todos com maior intensidade.
Ao falarmos com as pessoas, muitas não entendem o que sentimos, o que pensamos, o que pretendemos. E não adianta perdermos tempo explicando, simplesmente não vão entender, não vão alcançar o raciocínio. Então, coloque-se ao alcance da pessoa. Sei que dói, mas é o que nos resta fazer. Chegue ao nível da pessoa, trate dos assuntos que agradam a ela, que interessam à maioria: "será que vai chover?", "Corinthians ou Palmeiras?", "Maldito governo e nossa miséria"... coisas assim. Finja divertir-se, a pessoa ficará feliz com você.
E esteja preparado. Pois o início do capítulo dois mostra a triste realidade dos poetas: "Vivi portanto só, sem amigo com quem pudesse realmente conversar, até o dia, cerca de seis anos atrás, em que tive uma pane no deserto do Saara."
Poetas vivem só mesmo rodeados de universos de pessoas. Porque poetas falam outra língua, moram em outro país, em outro mundo.
Tento com minhas palestras fazer o mundo ser melhor, transformando pessoas em poetas ou fazendo-as entendê-los. Mas é uma grande e difícil empreitada.
Colorir o mundo está complicado, mas continuamos batalhando.
Enquanto isso, vou colocando-me ao alcance das pessoas, e vivendo só, sem ninguém com quem possa realmente conversar.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

A lógica da sopa de fubá

A 30 anos atrás, com meus onze anos, estudava eu na Escola Estadual Dr. Almeida Vergueiro, em Espírito Santo do Pinhal. Era gordinho, mas não é por isso que vou falar exclusivamente da merenda da época escolar.
Vou referir-me à refeição dos intervalos exclusivamente porque raciocinei em uma lógica fundamental que acontece muito na vida da gente.
Eu adorava a sopa de fubá que era servida. Principalmente porque a merendeira colocava ovos inteiros para cozinharem na sopa. Era o idílio para mim!
Desejava tanto que todos os dias servissem aquela sopa! Minha veneração era tamanha que eu pedia para minha mãe fazer um prato semelhante em casa. Era o manjar dos deuses para mim.
Foi assim por alguns anos e, de repente, (entendam agora a lógica) eu simplesmente parei de gostar de sopa de fubá. Não enjoei, não tive experiência traumática, não queimei a língua, não aconteceu absolutamente nada.
Eu simplesmente acordei um dia e não quis mais comer sopa de fubá. Inexplicavelmente minha paixão havia desaparecido. E o arroz e feijão passou a ser mais interessante. Até o arroz com peixe em molho de tomate parecia mais atraente.
A sopa não me causava nojo, não me causava repulsa, não me trazia qualquer desconforto. Eu só não sentia mais atração por ela. Era um prato normal, que ocupava talvez a sétima ou oitava posição no ranking de comidas preferidas.
Passaram-se trinta anos e nada daquela paixão pela sopa voltar. Se tem, desfruto. Mas não faço questão. Nem me emociono quando tenho dela para provar.
É algo sem explicação, mas que mostra o funcionamento do querer humano: a pessoa, quando está apaixonada por alguém, não para de pensar, sempre manda recados, deseja, faz de tudo para estar presente. E isso pode ser por pouco ou por muito tempo.
De repente, o interesse some. E a pessoa torna-se fria, apática, inexplicavelmente indiferente. Não quer mais conversar, trata com desdém, como se aquele que um dia foi seu grande interesse agora não passa de mais uma pessoa no mundo.
Essa é a lógica da sopa. Um dia se quer, depois a vontade some.
Porque seres humanos são egoístas, agem consoante os próprios desejos. Hoje querem, amanhã o umbigo não deseja mais.
Poetas não fazem assim com humanos (só com as sopas). E se você for vítima de uma troca inesperada de ventos, não dê sopa para a tristeza. Valorize-se. Você vale muito mais que uma sopa de fubá.