quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Síndrome de anjo da guarda

Vou viajar no texto de hoje. Peço que não o interpretem como sinal de prepotência, soberba ou pedantismo. É algo que há muito sinto e não encontrei nada escrito sobre isso. Então resolvi chamar de "Síndrome do Anjo".
É algo íntimo e pessoal que compartilho no blog na esperança de encontrar outros que sintam o mesmo.
Já teve a sensação ou a ideia fixa de que você, apesar de humano imperfeito e fraco, teria as mesmas responsabilidades de um anjo protetor?
Sim, o desejo intenso de cuidar  de uma pessoa, fazer tudo pelo bem dela, para que ela seja feliz, para que tudo o que planeja dê certo, para que ela esteja sempre sorrindo, para que as tristezas fiquem sempre distantes?
Comparar-se a um anjo pode parecer pretensiosismo, posto que são seres poderosos, perfeitos, divinos.
Mas a sensação não é essa. É a sensação de possuir as funções deste, sem ter a capacidade do mesmo.
Talvez seja um tipo de amor. Camões dá uns detalhes interessantes, quando escreve que o amor "é um cuidar que ganha em se perder."
Em outro trecho, o poeta português explica que "é servir a quem vence, o vencedor."
Sinto disso. Quero cuidar, servir, dar de minhas energias (das parcas energias) para beneficiar outrem. Tenho vontade de estar toda hora próximo, ao lado, atrás, invisível, sem incomodar.
Mas, ah, imperfeição!
Em tudo se falha. Não se cuida, mas se incomoda muito. Estar sempre perto sufoca. Cuidar muito atrapalha. E uma ação que deveria ser bela em sua essência e motivação causa afastamento.
Resta um consolo, o de criar um sentimento positivo na pessoa. Clarice Lispector escreveu: "Ela acreditava em anjo e, porque acreditava, eles existiam."
Note que na frase, ela acreditava em um anjo e, por causa disso, todos existiam.
Por favor, acredite em mim.