quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Um péssimo frentista me ensinou

Mesmo que seja um cacto, alguma coisa de boa pode surgir em um deserto onde nada de bom parece criar vida.
Ontem, especialmente à tarde, tive momentos péssimos: depois de uma hora junto a pessoas que sequer me olhavam no rosto (o que está acabando comigo, mas há de me fazer forte) fui abastecer meu automóvel. Por comodidade, fui a um posto no caminho de casa, localizado na "Avenida" de minha cidade.
Cheguei lá, nove e meia da noite, entreguei a chave e pedi R$ 40,00 de gasolina. O frentista, conversando com os outros, pegou a chave e colocou R$ 50,00. Eu ainda gritei avisando que eram só R$ 40,00 mas ele retrucou por duas vezes: "você falou cinquenta", como se eu não soubesse o que havia dito.
Feito isso, ele foi pegar a máquina de cartão resmungando: "eu passo quarenta, dez reais não vão fazer falta para mim, eu pago" (como se o emprego dele também não fizesse falta, caso eu conversasse com o dono do posto).
Enfim, ele passou os cinquenta (ainda resmungando e falando que não merecia uma coisa dessas naquela hora da noite), eu paguei integral os cinquenta reais e fui para casa pensando no que pude aprender desse ocorrido.
Fiquei contente de ver que, mesmo depois de uma sessão estressante de desprezo que sofri momentos antes, eu ainda tive energia suficiente para não perder a cabeça a ponto de xingar o mau frentista.
Não falei uma palavra obscena sequer, o que eu considero um grande ponto positivo.
Treinei ainda outro poder: o do silêncio. Cheguei em casa e não comentei com ninguém o ocorrido. Também não falei nada com o pessoal do serviço (sobre esse poder do silêncio, comentarei em outra publicação). Só toquei no assunto agora, para fazer este texto.
Confesso que tive pensamentos vingativos, mas controlei-me a ponto de não voltar lá para conversar com o patrão e nem fui ao Procon registrar queixa contra o posto.
Há um ditado popular que diz: "dos limões que ganhei da vida, fiz uma limonada".
A minha ainda saiu um pouco azeda, mas confesso que fiquei satisfeito com minha reação. Estou crescendo, estou me desenvolvendo.
Faça isso: não exploda com as situações, veja o que pode melhorar e veja o que aprendeu delas. Assim fazemos um mundo melhor para as outras pessoas, mesmo que estas sejam péssimas frentistas.