terça-feira, 30 de agosto de 2016

A Droga da Obediência

O título deste artigo é o mesmo do famoso livro de Pedro Bandeira. Inclusive li-o na adolescência e tinha uma ideia diferente do que seria o enredo e fiquei surpreso com o desfecho.
Não vou estragar a surpresa para quem for lê-lo, mas havia um remédio que transformava quem a tomava em um zumbi - não tão nojento quanto os dos seriados e filmes atuais - mas tirava a vontade própria da pessoa, tornava-a obediente.
E foi pensando nisso que tive um insight, uma ideia sobre os jovens buscarem refúgio nas drogas.
É justamente a desobediência! Isso, o contrário do livro.
Os pais, os professores, os adultos em geral falam para o jovem não usar drogas. Os comerciais e merchans da vida são imperativos e taxativos: não use drogas!
E o que eu faço quando quero mostrar que quem manda em mim sou eu? Exato: desobedeço!
Quando eu era jovenzinho, namorei uma menina escondido dos pais dela por um ano. Ela parecia apaixonada por mim. Quando o pai deixou, ela largou de mim. Namorávamos apenas porque era proibido.
Proibido é mais gostoso, dizem, e o sabor açucarado é justamente provar que EU decido minha vida.
E o jovem, que ainda não está totalmente pronto para decidir sobre sua vida, encontra um amigo ou um cara boa pinta, que tem algo que dá um barato, uma alegria um negócio tal... e ele acaba dando "um tapa no beque", "queimando uma pedra", ou algo que pode levá-lo para um rumo muito ruim.
Depois é vício, depois ele não tem mais culpa. A culpa foi só entrar. E sofrem ele, família, amigos, como todos sabem.
Então talvez não seja a melhor tática impor o não uso da droga. O melhor é convencer do mal que ela faz.
Gasolina é uma droga, e ninguém bebe, porque sabe que mata (salvo casos de abstinência).
O Autor de Robson Crusoe, Daniel Defoe, escreveu:
"O medo do perigo é mil vezes pior do que o perigo real".